História do Rock Baiano – Síncope

História do Rock Baiano – Síncope

Eis que a década de 1990 em Salvador produziu mais uma grande banda de heavy metal que fez tremer os palcos soteropolitanos. Dessa vez falamos da SÍNCOPE, uma banda de sonoridade encorpada, que apresentava uma perfeita sintonia entre o peso do thrash metal mais cadenciado com elementos de rock progressivo e heavy metal clássico, tendo como influências bandas das décadas de 60, 70 e 80, fórmula que conquistou rapidamente um enorme público e o reconhecimento na cena local.

A SÍNCOPE iniciou suas atividades em 1991, mas estabilizou sua formação no ano seguinte com Ronaldo Pitanga no vocal, Bruno Uzêda e Leonardo Rêgo nas guitarras, Maurício Uzêda no contrabaixo e Tito Mutti na bateria. Inicialmente eles ensaiavam num galpão na casa do guitarrista Leonardo, só depois conquistando uma melhor estrutura de estúdios para os ensaios. Ao longo da trajetória, passaram pela banda vários outros músicos, como o contrabaixista Alberto Carvalho (ex-Zona Abissal) e os bateristas Camilo Baiardi e Humberto Monteiro.

Com seu “heavy metal trabalhado”, a SÍNCOPE se destacou rapidamente na cena de rock soteropolitana no início da década de 1990, fazendo uma enorme quantidade de shows (mais de quarenta) nesse período e tocando nos festivais mais importantes da época. A banda se apresentou vários anos seguidos no Palco do Rock, desde a sua primeira edição, em 1994, nas areias da praia de Jaguaribe, e também nas edições do festival Garage Rock em 1996, na Faculdade de Economia da UFBA (Piedade), em 1997, no bar Casablanca (Amaralina), e em 1998, na Concha Acústica do TCA.

A banda ainda tocou em festivais no Hotel Pelourinho (Centro Histórico de Salvador) e na Associação Atlética da Bahia (Barra), fez shows no Clube de Engenharia (Av. Carlos Gomes), no Clube Cruz Vermelha (Campo Grande), no bar Holandês Voador (Rio Vermelho) e também na cidade de Aracaju, capital de Sergipe, onde tiveram que passar a noite nas areias da praia de Atalaia com o pessoal que os acompanhou na van alugada, pois a produção do evento não havia providenciado hotel para o pernoite após o show (coisas do underground da época).

Um fato marcante na carreira da SÍNCOPE ocorreu quando a banda venceu o Festival de Música Top Bizz Cajuba, evento de grande repercussão no famoso Clube Baiano de Tênis, quando recebeu os prêmios de melhor banda e melhor vocalista. A SÍNCOPE também foi a primeira banda de heavy metal a estar entre as finalistas do badalado Troféu Caymmi, um tradicional festival que premiava artistas da música baiana, mas que reconhecia pela primeira vez uma banda de som pesado entre os selecionados.

Durante a sua carreira a SÍNCOPE fez poucos registros de suas canções. O primeiro foi com uma fita demo, em formato K7, intitulada “CREATION”, que continha duas músicas e teve uma excelente recepção pela crítica especializada, com resenhas positivas na revista paulista Rock Brigade e em fanzines do Brasil e de Portugal. As letras e linhas vocais eram compostas por Pitanga, ficando a parte instrumental a cargo dos demais membros.

Posteriormente a SÍNCOPE participou de duas importantes coletâneas de rock e heavy metal da época. Em 1996 a canção “Creation” fez parte do CD Bahia Rock Collection, lançado pela WR Records e produzido por Wesley Rangel, que contou ainda com a participação de nomes importantes do cenário baiano, como Yonsen Maia, Dois Sapos e Meio e Blackness. Em 1997 a música “The Last Beattle” fez parte do CD coletânea “Doisdabahia”. Dessa coletânea também participaram outras grandes bandas de metal que estavam começando a despontar, como Malefactor, Veuliah, Mercy Killing e Shadows. Estes foram os últimos registros fonográficos.

No final da década de 1990 a SÍNCOPE encerrou suas atividades por dificuldades de conciliar os compromissos profissionais dos integrantes com as necessidades da banda, deixando um grande número de fãs à espera do primeiro álbum de estúdio, que acabou nunca sendo lançado. Contudo, a partir de 2013, após quase quinze anos de “repouso”, Pitanga, Bruno, Maurício e Tito não aguentaram a saudade dos palcos, além dos inúmeros pedidos de amigos, e então resolveram se reunir novamente para fazer alguns shows, inclusive na edição comemorativa de 20 anos do Palco do Rock em 2014. A reunião reavivou a memória dos antigos fãs, criando a expectativa de que pode aparecer alguma novidade em breve. Quem sabe?

Grigorio Rocha

Grigorio Rocha

Professor de Sociologia, poeta e artista plástico.

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