Coluna – Maria Rita Werneck – Diego Fox

Diego Fox chega mais intimista no primeiro EP solo

Sabe aquele ditado filho de peixe, peixinho é? Então, esse dito popular cai muito bem para o cantor e compositor Diego Fox. Filho de uma artista plástica e de um músico que ajudou a fundar a conceituada Orquestra Sinfônica da Bahai – OSBA, Fox, como é mais conhecido, não se lembra quando foi o seu primeiro contato com a música, mas revela que no ambiente musical que vivia não “tinha muito para onde correr”.

O jovem baiano de 38 anos – que fez parte da Pangenianos e segue carreira com a banda Suinga-, acaba de lançar seu primeiro EP solo – Diego Fox e O Talismã. O material formado por cinco faixas foi realizado em parceria com Lelo Brandão (guitarra e teclado) e Felipe Dieder (bateria) – dois amigos de longa data que integram a banda Maglore – e produzido por Silvio de Carvalho (Tabuleiro Musiquim/Suinga).

Diego Fox e O Talismã surgiu da vontade resgatar composições antigas que fogem do perfil irreverente e carnavalesco da Suinga, grupo que surgiu no início dos anos 2000 e que atualmente segue em paralelo com um clipe novo e com a expectativa da chegada do próximo disco. “Eu já tinha uma ideia antiga de gravar um disco solo, resgatar composições antigas que são bem distantes da Suinga. Mostrar esse outro meu lado. Lelo Brandão já vinha namorando essa ideia comigo e se identificou com muitas canções que eu tinha. A gente ficou se enrolando desde 2014”, revela o artista que explica que o nome Talismã do projeto é uma referência à amizade que une os três músicos.

“O talismã em minha vida é muito mais a presença desses amigos queridos que já fazem parte de minha vida a algum tempo. Posso dizer que são meus amigos da sorte”.

Em Salvador, Diego também realizava um trabalho solo cover homenageando a Legião Urbana, uma de suas grandes referências musicais ao lado de João Gilberto, Guilherme Arantes, Clube da Esquina e nomes gringos como Mac Demarco e Connan Mockasin. No início da banda Suinga (meados dos anos 2000) a cena musical alternativa de Salvador passava por um processo de efervescência, onde o resgate pela música popular brasileira estava em grande evidência. Ao mesmo tempo que os Novos Baianos eram exaltados de um lado, do outro, nomes dos antigos carnavais oitentistas subiam nos palcos através de vozes como a de Fox.

Irreverência, animação e um flerte com a estética dos anos 80 sempre foi uma marca da Suinga, trabalho mais conhecido de Fox. Mas, agora ele busca transitar por fontes mais intimistas que ajudaram a fazer das cinco faixas do EP um desabafo sobre as relações dele com as pessoas e consigo próprio. “Eu posso falar que as cinco falam de como me relaciono ou me relacionei com pessoas e até a minha própria vida nesses 38 anos. Por isso até resolvi lançar no dia do meu aniversário [15/07]. Praticamente, quase todas as minhas composições são bem pessoais, mas sempre procuro deixar uma forma que as pessoas procurem se identificar com suas questões. Talvez seja assim com todas as canções. Eu acho”, sorrir o rapaz que já gravou um clipe no bairro da Liberdade, em São Paulo, carregando um isopor de picolé – uma homenagem a um tradicional profissional informal das belas praias de Salvador, como o Porto da Barra.

Por falar em Salvador, quando perguntado sobre a atual cena musical alternativa soteropolitana, Fox se apresenta muito otimista sobre a constante oxigenação que ela passa. No entanto, não esconde o incômodo que sente sobre a rivalidade entre gêneros que bestamente existe na cidade e que impede um intercâmbio maior entre os estilos musicais.

“Apesar de ter tido banda de Rock antes disso tudo, eu sempre fui muito fã de Carnaval. Daquele Carnaval Moraes ou até mesmo Chiclete com Banana. Não entendo muitas vezes essa separação na cidade, de quem gosta de Rock não poder gostar de Axé. Eu vejo muita semelhança as vezes. Mas, a cena alternativa anda sempre em mutação e isso talvez seja bom. Já ouvi falar que a Suinga era muito rocker para fazer parte do mercado do Axé e também muito Axé para fazer parte da cena Rocker. No meio disso nasce trabalhos lindos como o de Josyara, Giovanni Cidreira, Baco Exu Blues, etc. Talvez daqui a 5 ou 10 anos já venha outro estilo na cena alternativa. Salvador é um Planeta Mutante danado de bom!”

Para o futuro, Diego Fox espera gravar mais músicas ao lado do Talismã e os três não param, nem mesmo diante essa pandemia. Trabalho em arranjos virtualmente em canções que podem gerar um disco “maior” como ressalta o músico.

Ouça abaixo o EP Diego Fox e O Talismã:

 

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