Review – Álbum – Rosa Idiota – Somatic

Ótima representante da nova geração do rock baiano (embora seja formada por músicos veteranos da cena), a Rosa Idiota lançou em 2018 seu segundo álbum, Somatic (o primeiro, Circle, foi lançado ano passado), que está disponível nas diversas plataformas digitais, inclusive no YouTube). A banda faz um indie rock com grande influência noventista, com bons riffs, guitarras pesadas e vocais melódicos. Esta sonoridade continua presente nesse segundo lançamento da banda. Em Somatic, o grupo se mantém fiel ao rock de guitarras diretas e letras reflexivas presentes em Circle, mas com vocais mais trabalhados e instrumental mais melódico.

O disco começa com “Caustic Dream” que inicia com um uma melodia tranquila, mas logo dá lugar às guitarras distorcidas, com versos bastante incisivos dirigidos a alguém (ou a si mesmo?) que parece se acomodar com determinada situação. A faixa seguinte, “Trapped inside us”, segue a mesma linha, inclusive com a letra igualmente questionadora (que termina com os versos “maybe nothing´s gonna change the fucking world/but we can change ourselves” – em português, algo como “talvez nada vá mudar essa #$%& de mundo/mas nós podemos mudar a nós mesmos”).

Entre os temas abordados – isso segundo minha interpretação, já que as letras dão margem a vários sentidos – estão também os relacionamentos e seus desencontros (“I saw sardines”, que termina com dedilhados melódicos), raiva e intolerância (“Your own beliefs”), entre outros questionamentos diversos sobre a natureza humana. Difícil não enxergar, permeando todo o álbum uma crítica ao momento político turbulento que se encontra o país, em meio à ascensão do discurso de ódio e preconceito que “saiu do armário” de uns tempos pra cá…

A faixa mais emblemática desse clima de desesperança, mas, ao mesmo tempo, de enfrentamento e de coragem – novamente, na minha talvez particular intepretação – é “The world is burning”, que contém os versos “every step that they take/takes you to the wrong side”(“cada passo que eles dão/te levam para o lado errado”), e termina com os questionamentos: “Do you understand?/Are you too scared to loose? What have you expected?” (Você entende?/ Você está com tanto medo de perder?/ O que você tinha esperado?”).

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