Review – Álbum – Declinium – Sombras e Luzes

Review – Álbum – Declinium – Sombras e Luzes

Depressão é uma das doenças mais graves da atualidade e ainda gera controvérsias por não ser levada a sério. Se Cazuza dizia que seus heróis morreram de overdose, os de hoje se matam por causa da depressão. Não faltam exemplos na música, principalmente no rock, como Chris Cornell do Soundgarden e Chester Bennington do Linkin Park.

Felizmente as pessoas têm lutado com ela e a arte, principalmente a música, é uma boa forma de combater, ou de pelo menos expressar os sentimentos e dizer como está se sentindo. Toda essa introdução foi para falar do novo EP da banda Declinium, de Camaçari, chamado “Sombras e Luzes”, que poderia ser definido de forma clichê e simplista como “rock triste”.

As guitarras distorcidas e o tom melancólico das canções deixam claro o clima emocional do disco. É possível sentir também um pouco de raiva. O vocal de Oreah, que também toca baixo no grupo, tem um tom grave que lembra muito a voz de Renato Russo. Além disso, é evidente a influência de rock inglês de bandas como Echo & The Bunnymen e Joy Division, isso misturado com toques de Legião Urbana. Definição essa que a própria banda usa para se definir e que faz totalmente sentido.

A Declinium existe desde o ano 2000, pouco antes do início do BahiaRock, e segue atuante até hoje. Esse novo EP só tem de novidade o lançamento, porque as músicas foram registradas há mais de 10 anos, mas somente agora foram disponibilizadas graças à trinca de selos Brechó, BigBross e São Rock.

O disco abre com a canção “Sombras e Luzes”, que também dá nome ao EP, e apresenta bem a sonoridade da Declinium. Um início mais lento e intimista para depois “explodir” com o som da guitarra distorcida. As 5 músicas exploram bem a mistura entre a escuridão e a claridade, com algumas chegando até os 7 minutos de duração de pura viagem sonora.

A banda explora bem os limites entre a tristeza, melancolia e a depressão. Basta pegar um trecho da letra de “Estranho” que diz “hoje estou tão feliz, que poderia cortar os pulsos”. Essa dualidade emocional é o grande trunfo da Declinium, que mostra que existe muita qualidade e rock autoral também no interior da Bahia.

Membros da banda
Oreah: Baixo/Vocal
Everton Mendonça: Guitarra
Leandro Rodrigues: Guitarra
Tiago Matos: Teclado e efeitos
Ericson França: Bateria
Jonas L: Guru e Mentor intelectual

Ouça no Spotify:

Ramon Prates

Ramon Prates

Editor-Chefe e Web Master. Apaixonado por música, especialmente rock, e também por escrever, logo juntando as duas coisas resolvi dar minha contribuição para o rock baiano através do BahiaRock.

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