Casa 141 aposta na renovação do rock baiano e abre novembro com sete bandas em dois dias de programação
Festival Esculacho e Nordeste em Distorção colocam no palco novos projetos musicais, bandas estreantes e artistas do interior da Bahia. Mais do que uma agenda de shows, os eventos representam a força de uma cena independente em constante transformação.
O rock baiano se renova quando novos artistas encontram espaço para mostrar seu trabalho, quando bandas do interior conseguem chegar à capital e quando o público tem a oportunidade de descobrir novos sons. É com essa perspectiva que a Casa 141, no Rio Vermelho, em Salvador, inicia o mês de novembro: com sete bandas, dois eventos e uma programação dedicada à circulação e ao fortalecimento da música independente.
Nos dias 6 e 7 de novembro, a casa recebe o Festival Esculacho e o Nordeste em Distorção. São duas noites que traduzem uma questão fundamental para a continuidade da cena musical: a necessidade de abrir espaço para quem está começando, incentivar novos projetos e aproximar diferentes territórios da produção cultural baiana.
Na sexta-feira, 6 de novembro, o Festival Esculacho reúne quatro bandas: Amélia nos Observa, Gato Torto, Merlô e Alameda Saturno. São projetos recentes, que representam diferentes caminhos e possibilidades do rock produzido atualmente na Bahia. Algumas dessas bandas estão começando a conquistar espaço nos palcos da cidade, como é o caso do Gato Torto, que fará sua primeira apresentação em um bar de Salvador.
A proposta é justamente dar visibilidade a essa nova geração, criando oportunidades para que artistas apresentem suas composições, encontrem seu público e desenvolvam suas trajetórias.
No sábado, 7 de novembro, o Nordeste em Distorção amplia essa perspectiva ao promover o encontro entre bandas de diferentes cidades baianas. A programação reúne Mulexta, de Serrinha; Thunderdope, de Cruz das Almas; e Kriaturas, de Salvador, que fará sua estreia nos palcos.
Um dos projetos que mais desperta curiosidade é a Kriaturas. Com integrantes que se apresentam usando máscaras, a banda constrói uma identidade visual misteriosa e instigante, acompanhada de um som pesado e muita distorção. Uma estreia que promete acrescentar novos elementos à diversidade estética e sonora da cena independente.
A presença de bandas do interior também merece destaque. A circulação entre municípios é essencial para fortalecer a música independente, ampliar redes de colaboração e romper com a concentração das oportunidades culturais nas capitais. Quando uma banda de Serrinha ou Cruz das Almas ocupa um palco em Salvador, não é apenas um show que acontece: é uma possibilidade de intercâmbio, reconhecimento e expansão da cena musical baiana.
A Casa 141 entende que uma cena cultural forte não se constrói apenas com artistas já estabelecidos. É preciso criar condições para que novas bandas surjam, experimentem, errem, amadureçam e encontrem seu público. O palco precisa estar aberto para diferentes gerações, sonoridades e territórios.
A formação de público também faz parte desse processo. Apresentar novos artistas, estimular a curiosidade musical e oferecer experiências fora dos circuitos mais conhecidos são ações fundamentais para manter viva uma cultura musical independente.
Com iniciativas como o Festival Esculacho e o Nordeste em Distorção, a Casa 141 reafirma seu compromisso com a música autoral, a diversidade da produção baiana e a construção de um ambiente onde novos projetos possam encontrar espaço e reconhecimento.
O rock baiano não está parado. Está criando, experimentando, atravessando fronteiras e encontrando novas formas de existir. E a renovação dessa história também passa pelos palcos da Casa 141.
