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	<title>Ricardo Cury, Autor em BahiaRock</title>
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	<description>Seu Portal pro Rock Baiano!</description>
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	<title>Ricardo Cury, Autor em BahiaRock</title>
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		<title>Coluna – Ricardo Cury – A chama não pode se apagar</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Ricardo Cury]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 02 Aug 2022 18:25:23 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Colunas]]></category>
		<category><![CDATA[brincando de deus]]></category>
		<category><![CDATA[Coluna]]></category>
		<category><![CDATA[Coluna Ricardo Cury]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Num início de tarde de um dia qualquer, Quinho me liga e diz: &#8211; Man,</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Num início de tarde de um dia qualquer, Quinho me liga e diz:</p>



<p>&#8211; Man, o estúdio pegou fogo.</p>



<p>&#8211; Hein?</p>



<p>&#8211; O estúdio pegou fogo.</p>



<p>&#8211; Que estúdio, rapaz?</p>



<p>&#8211; O da banda.</p>



<p>&#8211; Que banda, porra?</p>



<p>&#8211; Da brincando de deus, caralho.</p>



<p>&#8211; Como assim?</p>



<p>&#8211; Pegou fogo&#8230; Incêndio.</p>



<p>&#8211; Caralho, e aí?</p>



<p>&#8211; Queimou tudo.</p>



<p>&#8211; Tudo?</p>



<p>&#8211; Tudo.</p>



<p>&#8211; Tudo??</p>



<p>&#8211; Tudo, caralho. Queimou tudo. Não sobrou nada, nem minha bateria, nem o baixo de Dalmo, a guitarra de Cezar, o amplificador&#8230;</p>



<p>Assim começava o segundo semestre de 1999 para a brincando de deus. O saldo final foi o pó de uma bateria Tama japonesa com dois tons e dois surdos, com todas suas ferragens e pratos; de um baixo Music Man de cinco cordas; uma guitarra Ária Pró II antiga e artesanal; um amplificador Marshall e, além dos instrumentos, um baú com gravações inéditas e todo material de clipagem da banda. O estúdio também era na casa da mãe do vocalista Messias, no Bonfim, queimando também um quarto com centenas de livros. Até hoje, quando ela pergunta por Quinho, ela diz “cadê o incendiário?”.&nbsp;</p>



<p>&#8211; Como foi isso, Quinho?</p>



<p>&#8211; Porra, fui pra lá tocar bateria e esqueci o ar ligado.</p>



<p>O ar-condicionado do estúdio era tão velho quanto a banda. Esquentou, saiu faísca e daí pro fogo pegar nas paredes encarpetadas foi 1, 2, 3, 4.</p>



<p>A tragédia apenas aumentou os momentos de incertezas que a banda já vinha passando. A falta de perspectiva, o marasmo, a vida pessoal de cada um, tudo parecia ir contra a banda, e agora o incêndio, que não só teve prejuízos financeiros. Quem é músico e tem um instrumento de estimação sabe da dor que é. Shows marcados tiveram de ser cancelados, pois a banda não tinha com o que tocar. “Isso que dá usar esse nome”, comentavam uns.&nbsp;</p>



<p>Em 1996, após um show, bateram na porta do camarim. Rogério Big Bross abriu:</p>



<p>&#8211; Messias, tem umas pessoas aqui querendo falar com você.</p>



<p>O que tomou a frente estava com uma bíblia na mão e uma camisa social abotoada até o pescoço.</p>



<p>&#8211; Você não pode usar esse nome na sua banda. Vocês não são Deus – disse ele.</p>



<p>&#8211; É claro que não, mas, por gentileza, abra a bíblia em João 10:34.</p>



<p>O cara abriu.</p>



<p>&#8211; O que Jesus disse? – Messias perguntou.</p>



<p>&#8211; “Sois deuses” – respondeu o cristão, lendo a bíblia, um tanto contrariado.</p>



<p>&#8211; Mais alguma coisa?</p>



<p>&#8211; Tem algum disco da banda ai?</p>



<p>&#8211; Tem ali na banquinha. Dez reais.</p>



<p>“A chama não pode se apagar”, comentou Cláudio Escória com Messias, ao saber do incêndio, e uma luz no fim da noite, enfim, se acendeu. Emergentes da Madrugada era o nome do projeto que tinha acabado de gravar o disco &#8220;Entre&#8221; do Cascadura e estava gravando o segundo do Dead Billies, que se chamaria &#8220;Heartfelt Sessions&#8221;. O projeto era uma parceria entre o Governo do Estado da Bahia, os estúdios WR (templo sagrado da axé-music) e o também sagrado produtor Nestor Madrid, ganhador de inúmeros discos de ouro com Chiclete com Banana, Luiz Caldas e Banda Reflexus.</p>



<p>O produtor cultural Roberto Sant´anna, que estava na direção executiva do Emergentes da Madrugada, disse que a brincando de deus estava na lista do projeto, inclusive, assumindo que o incêndio, junto com a relevância da banda, foi um dos fatores determinantes.&nbsp;</p>



<p>&#8211; Mas como vamos gravar, não temos instrumentos?</p>



<p>Antes de ser baterista, eu era o roadie da banda e, antes disso, um grande fã. Tomei pra mim a responsabilidade de arranjar os instrumentos e liguei pra todos os músicos que conhecia, dando os devidos créditos no encarte do disco. Ao invés de ter &#8220;brincando de deus usa guitarras Gibson, baixo Fender, baterias Premier&#8221; tinha &#8220;brincando de deus usa guitarras de Daniel, Candido e João; baixo de Pedro e Luis Fernando; bateria de Cury; violão de Luisão.</p>



<p>O primeiro dia de gravação não aconteceu. O estúdio dessa vez pegou água. Choveu tanto na cidade que faltou luz. As gravações começariam no dia seguinte. O projeto tinha um cronograma que devia ser milimetricamente respeitado. De segunda a sexta, começando meia noite e terminando às sete da manhã. A vida de todos os envolvidos foi deixada de lado.</p>



<p>Durante todo o tempo, Nestor Madrid e brincando de deus foram se conhecendo. As madrugadas eram entre paredes recheadas de discos-de-ouro e histórias obscuras do axé, contadas por Nestor. No estúdio de cima, os Dead Billies começavam a mixar o recém gravado disco, também com o mesmo produtor, que tinha que ficar subindo e descendo as escadas da WR.</p>



<p>&#8211; Nestor, vai confundir tudo. Nosso disco sair rockabilly &#8211; dizia Messias.</p>



<p>&#8211; Cuidado pro nosso não sair meio triste &#8211; alertava Glauber.</p>



<p>Em uma das músicas, a banda convidou todos os amigos pra fazer um coral. Mais de 50 pessoas. Entre bebidas e outras coisas, amigos, músicos de outras bandas e gente que nunca cantou na vida ficaram juntas cantando Lala..lala&#8230;lala lala&#8230;lala lala&#8230;laaaaaa.</p>



<p>Alguns levavam a coisa muito a sério. Fábio Cascadura tentou ensaiar o &#8220;lala lala&#8221; em diferentes tonalidades. Teve gente que botou a mão no ouvido no modo &#8220;We are the Word&#8221;. Por outro lado, tinha a galera dos &#8220;subtonados&#8221;, que não conseguiam acertar nem uma nota. Não ficou um coral &#8220;gospel&#8221;, mas está lá. Baixinho, mas está, devidamente creditado no encarte como &#8220;Coro do rock&#8221;.</p>



<p>Nesse clima, foi feito o homônimo terceiro disco. Até uma matéria pro Fantástico com Maurício Kubrusly para o quadro Me Leva Brasil a banda gravou.</p>



<p>&#8211; Li sobre eles e me interessei.- disse o jornalista, se referindo ao incêndio e a história do quase seminarista Messias.&nbsp;</p>



<p>A gravação do disco, junto com a mixagem, duraram inimagináveis seis meses. E em todos esses dias ficamos na companhia do porteiro da WR, que por outra ironia do destino se chamava Roque.</p>



<p>&#8211; É Roque mesmo? &#8211; perguntava eu.</p>



<p>&#8211; Oxe, é Roque de verdade &#8211; respondia ele, que abria todos os dias os portões da WR para a brincando de deus, os Dead Billies e o Cascadura.</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p>Para ler crônicas da brincando de deus, acesse <a href="http://www.livromanteiga.com.br" target="_blank" rel="noreferrer noopener">www.livromanteiga.com.br</a> e reserve seu exemplar do novo livro de Ricardo Cury chamado Manteiga.</p></blockquote>



<h2 class="wp-block-heading">O PROJETO</h2>



<p>“Manteiga” surgiu quando a psiquiatra perguntou se eu queria marcar uma consulta ou mandar um relato por escrito. Escolhi o relato, mas, no meio do processo, o texto foi se transformando em uma crônica um tanto grande, quando me dei conta que, editada e misturada com outras, podia virar uma história. São várias. Você gosta de histórias? E de manteiga?</p>
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		<title>Coluna – Ricardo Cury – This Charming Man</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Ricardo Cury]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 27 May 2020 02:31:01 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Colunas]]></category>
		<category><![CDATA[brincando de deus]]></category>
		<category><![CDATA[Cezar Vieira]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>foto: Sora Maia – Man, Cézar morreu – disse Messias, ao telefone. Era sábado, 21:30,</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>foto: Sora Maia</p>
<p>– Man, Cézar morreu – disse Messias, ao telefone.</p>
<p>Era sábado, 21:30, eu estava assistindo o documentário de Michael Jordan e após desligar o telefone fiquei pensando no que fazer com aquela informação. Conheci Cézar em 1995, no palco do Hotel Pelourinho, quando eu tinha 16/17 anos e vi pela primeira vez um show da ”brincando de deus’’. Seis anos depois eu entrei na banda que muitos, de forma pejorativa e presos à melancolia das melodias, chamavam de ‘’rock triste’’, sem saber que era a banda mais divertida do rock.</p>
<p>Após o choque inicial entrei nas redes sociais de Cézar e, na sequência, nas mensagens que trocamos. Ri das últimas com ele falando que conheceu uma mulher trans que era baixista, que ela iria entrar na &#8220;brincando de deus&#8221; e que o disco se chamaria Enigma. Só aí lembrei que o termo ‘’enigma’’ era uma piada interna que ele havia passado a usar conversando comigo, pois eu havia dito ela em alguma entrevista que ele leu sobre o Tchau. E passei a lembrar de inúmeros momentos.</p>
<p>A alegria dele quando chegamos pra tocar na Matriz, casa de show de São Paulo (2003), e tinha uma fila dando voltas na porta.</p>
<p>A alegria dele ao descobrir que n´A Obra (BH-2003), onde faríamos o show daquela noite, vendia Guiness e ele teria algumas por conta da casa.</p>
<p>As ironias hilárias sobre o fracasso iminente no show em Cruz das Almas (2002) quando íamos dividir a noite com uma banda de metal em um presídio abandonado e a súbita confiança e felicidade no palco quando os metaleiros da plateia aprovaram nossa música. <a href="https://www.bahiarock.com.br/tag/martin-mendonca/">Martin Martan</a>, que era do metal, foi nosso técnico de som.</p>
<p><figure id="attachment_11975" aria-describedby="caption-attachment-11975" style="width: 450px" class="wp-caption aligncenter"><img data-recalc-dims="1" fetchpriority="high" decoding="async" data-attachment-id="11975" data-permalink="https://www.bahiarock.com.br/coluna-ricardo-cury-this-charming-man/coluna-cury-brincando/" data-orig-file="https://i0.wp.com/www.bahiarock.com.br/wp-content/uploads/2020/05/coluna-cury-brincando.jpg?fit=500%2C335&amp;ssl=1" data-orig-size="500,335" data-comments-opened="1" data-image-meta="{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}" data-image-title="coluna-cury-brincando" data-image-description="" data-image-caption="" data-large-file="https://i0.wp.com/www.bahiarock.com.br/wp-content/uploads/2020/05/coluna-cury-brincando.jpg?fit=500%2C335&amp;ssl=1" class="wp-image-11975 size-medium" src="https://i0.wp.com/www.bahiarock.com.br/wp-content/uploads/2020/05/coluna-cury-brincando.jpg?resize=450%2C302&#038;ssl=1" alt="" width="450" height="302" srcset="https://i0.wp.com/www.bahiarock.com.br/wp-content/uploads/2020/05/coluna-cury-brincando.jpg?resize=450%2C302&amp;ssl=1 450w, https://i0.wp.com/www.bahiarock.com.br/wp-content/uploads/2020/05/coluna-cury-brincando.jpg?w=500&amp;ssl=1 500w" sizes="(max-width: 450px) 100vw, 450px" /><figcaption id="caption-attachment-11975" class="wp-caption-text">Tchau, Vieira. Obrigado por tudo. Jamais esquecerei. #brincandoDedeus</figcaption></figure></p>
<p>O show em Recife (2004) que eu fiquei emaconhado/bêbado/emaconhado e abaixei a cabeça na mesa pra dar um cochilo depois do show, num ambiente lotado, quando ouço ele gritar ‘’eu quero é cu’’. Acordei, pensei ‘’não, ele não falou isso’’. Enquanto levantava a cabeça ainda pensei ‘’devo ter dormido demais e todo mundo foi embora, não tem mais ninguém aqui’’, mas o local continuava lotado. Só que agora em silencio, olhando pra nossa mesa.</p>
<p>No hotel em Aracaju, festival Punka (2002), quando fumei maconha pela primeira vez e fomos pro evento tocar. Lá, fumei pela segunda e enquanto fumávamos ao ar livre, lugar enorme, dois policiais à paisana, caricatos, quase Hermes e Renato, gritaram ‘’mão na cabeça, bora pra parede, vagabundos’’. A parede mais próxima estava a uns 180 metros e fomos andando com eles berrando nos nossos ouvidos. Os caras eram tão despreparados que o revolver de um deles caiu no chão e saiu rolando pelo gramado. No caminho ainda deu pra trocar olhares com Messias, que estava na lanchonete com um hambúrguer na mão. Pelo olhar eu tentei dizer ‘’faça alguma coisa’’ e ele apenas colocou mais ketchup no seu sanduíche.</p>
<p>Quando o visitei em seu apartamento em São Paulo (2006), e ele disse puxando um baseado do bolso:</p>
<p>– O nome dessa maconha é Desmarca Compromisso?</p>
<p>– Por que? – perguntei, antes de fumar e de desmarcar todos os compromissos que eu tinha praquela tarde.</p>
<p>Em um avião, anos 90, quando o piloto anunciou que íamos pousar no Aeroporto Deputado Luís Eduardo Magalhães e gritamos todos ´´é Dois de Julho’’. Na saída, a aeromoça ao lado do comandante disse:</p>
<p>– A gente concorda, viu? Nada a ver essa mudança.</p>
<p>Em outro avião, quando gargalhamos fazendo a escalação de nomes que criávamos. Camerino Takaglyder, Charlino Buçanho, Dino Rabalyzer (o preferido dele), Kevin Shibiulev&#8230;</p>
<p>Em mais outro avião, quando voamos com Beto Jamaica (já em carreira solo) e sua banda. Voo da finada companhia BRA. Salvador – Paulo Afonso – São Paulo. Ele foi o primeiro a pedir uma cerveja e pousamos em São Paulo depois de seis horas com os roqueiros e pagodeiros do fundão bêbados, rindo e aplaudindo o piloto.</p>
<p>E aquele cover dos Smiths, aquelas paródias que criávamos, aquele ensaio, aquela entrevista, aquelas noites no Pós Tudo, aqueles dias&#8230;</p>
<p>Depois do memorial de lembranças, caiu a ficha que não vou ver mais a pessoa, não irei mais relembrar com ele e, muito menos, rir juntos das situações vividas.</p>
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		<title>Coluna – Ricardo Cury – We’re Gonna Make a Sound</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Ricardo Cury]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 20 Aug 2019 02:48:51 +0000</pubDate>
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		<category><![CDATA[1990]]></category>
		<category><![CDATA[anos 90]]></category>
		<category><![CDATA[Coluna]]></category>
		<category><![CDATA[Dinky-Dau]]></category>
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		<category><![CDATA[rock baiano]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Em 1995, com 16 anos, eu tocava bateria numa banda daqui de Salvador chamada Dinky-Dau.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Em 1995, com 16 anos, eu tocava bateria numa banda daqui de Salvador chamada Dinky-Dau. Naquele tempo, gravávamos fitas-demo (as primeiras eram basicamente ensaios gravados), fazíamos a capinha e mandávamos para todos os endereços que existiam. Fanzines, jornais, gravadoras, selos, casas de show, espeluncas&#8230; Após o envio, esperávamos a resposta pelo correio ou, com sorte, pelo telefone fixo, que tinha de tocar no exato momento em que estivéssemos em casa. As fitas-demo iam com os telefones de todos os integrantes da banda.</p>
<p>Um dia recebemos uma resposta. Um cara de Duque de Caxias, no Rio, chamando para um show lá no Rio, em Duque de Caxias.</p>
<p>– Vocês vão? – perguntavam os amigos.<br />
– Oxe, claro.</p>
<p>Éramos adolescentes e acreditávamos no rock. Na verdade, o rock era a única coisa em que acreditávamos. Entramos num Uno Mille, eu, Bola, Pedro e Anderson, malas, caixa de bateria, pedal, pratos, ferragens, baixo, guitarra e sonhos, percorremos 1.600 Km até o Rio de Janeiro, tocamos pra seis pessoas e voltamos pra Salvador. Outros 1600 Km.</p>
<p>Uma dessas seis pessoas era Rodrigo Lariú, o CEO do MMRecords, o selo mais desejado daquele meio de década. Com ele, comprei uma fita demo de uma banda do seu estrelado cast chamada The Cigarettes, que até então eu só tinha lido sobre no fanzine também do MMRecords. Essa fita-demo (chamada Felícia) foi uma das que mais ouvi. Dia e noite. Mostrava pra todo mundo no colégio. Ninguém entendia. E sempre que eu ouvia, eu lembrava que na resenha que li, o jornalista chamava Marcelo Colares, guitarrista, vocalista, mentor e único membro oficial da banda de “um John Lennon punk”.</p>
<p>Em 1997, o Cigarettes lançou o disco Bingo e, um belo dia, numa comum manhã de sábado, eu estava fazendo um show com a Jupiterscope, banda que tive com Spencer, Thales e André, na porta da loja de discos Na Mosca.</p>
<p>– Man, tá vendo aquele cara ali com um cigarro na boca? – me perguntou Spencer, acendendo o seu cigarro e o meu, num intervalo entre as músicas.</p>
<p>– Que é que tem? – respondi, tragando e soltando a fumaça.</p>
<p>– É Marcelo Colares.</p>
<p>Quando a apresentação acabou, fizemos amizade fácil com o simpático rapaz. Guitarra, óculos e outro cigarro na boca.</p>
<p>– E aí, beleza? – disse ele, se apresentando.</p>
<p>“Um John Lennon punk com sotaque carioca”, pensei.</p>
<p>Passamos o dia bebendo e, no final, embriagados, fizemos a velha promessa de “vamos fazer um som” que, ao contrário do que sempre acontece, aconteceu.</p>
<p>No dia seguinte, de ressaca, estávamos no estúdio, eu na bateria, Spencer no baixo e Colares na guitarra, tocando todas as músicas do Cigarettes que eu e Spencer conhecíamos de trás para frente. Sweet Little Darling, Anabel Lee, Say Goodbye, Lips 2, Naturally Sad, We’re Gonna Make a Sound&#8230;</p>
<p>Durante o ensaio, eu ouvia as músicas sendo executadas e era a mesma voz, a mesma guitarra, o mesmo timbre, riffs&#8230; tudo como estava no disco e na tal fita-demo. Além das músicas do Cigarettes, tocamos cover de outras bandas contemporâneas do Rio de Janeiro, como Second Come, Stellar e Pelvs.</p>
<p>Esse ensaio resultou em dois shows. Um, na segunda edição do festival Boom Bahia, junto com, entre outros, Mundo Livre, Pavilhão 9 e Dois Sapos e Meio, onde, no fim de todas as músicas, os metaleiros ficavam gritando “Hanson, Hanson, Hanson”; e outro show em Aracaju, numa boate que tinha sido reformada e estava reabrindo: Tequila Café. Assim como os metaleiros de Salvador, os arrumadinhos da boate não entenderam muito bem o som e, assim como nós no palco, ficaram indiferentes.</p>
<p>– Pelo menos eles vão pagar a conta do bar e a gente não – disse Spencer, num intervalo entre as músicas, lembrando que para a banda o bar estava liberado.</p>
<p>Muitas pessoas não acreditam, mas Marcelo Colares e Ricardo Spencer ainda estão vivos e podem dar o testemunho do ineditismo de uma famosa frase mundial. Ela pode até ter sido dita antes, realmente não sei, mas, para nós, o big bang aconteceu quando, na volta pra Salvador, na manhã do dia seguinte, de ressaca pelos cigarros e cervejas intermináveis da noite, no silêncio calorento do ônibus mais barato, segurando uma revista Playboy que compramos num posto de gasolina na estrada, eu disse em alto e bom som: “tá no rock é pra sofrer”.</p>
<p>Feliz Dia do Rock. (texto publicado originalmente na página pessoal do Facebook de Ricardo Cury no dia 13 de julho de 2019, Dia Mundial do Rock)</p>
<ul>
<li>foto tirada da página <a href="https://www.facebook.com/90underbahia/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">90underbahia</a> do Facebook</li>
</ul>
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		<title>Coluna – Ricardo Cury – Dead Billies from Hell</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Ricardo Cury]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 10 May 2018 12:00:57 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Colunas]]></category>
		<category><![CDATA[Coluna Ricardo Cury]]></category>
		<category><![CDATA[Dead Billies]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Em 1997, os Dead Billies foram fazer dois shows, no mesmo fim de semana, em</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Em 1997, os Dead Billies foram fazer dois shows, no mesmo fim de semana, em Aracaju.</p>
<ul>
<li>Vocês ficam aqui em casa – disse o brother Gilmar, que foi baterista de uma banda chamada Zona Abissal.</li>
</ul>
<p>Chegaram na casa de Gilmar (ele estava viajando), arrumaram as bagagens e foram para a varanda do apartamento. Os fumantes acenderam seus cigarros enquanto discutiam sobre o que fazer naquela tarde livre, antes do primeiro show. Resolveram ir para a praia. Deixaram a chave do apartamento na portaria, pois o amigo Rogério Big Brother chegaria de Salvador depois deles e também se hospedaria lá. Após duas horas de sol e cerveja, lembraram de ligar pro apartamento pra saber se Big Brother já tinha chegado. Foram até o orelhão mais próximo:</p>
<ul>
<li>Alô!</li>
<li>Big? Já chegou?! – perguntou Rex, o baterista dos Dead Billies.</li>
<li>Já. Cheguei tem uma meia hora&#8230;</li>
<li>E aí, tudo beleza?</li>
<li>Rapaz&#8230; Tirando o incêndio, tá tudo beleza&#8230;</li>
<li>Hein?</li>
<li>Incêndio.</li>
<li>Que incêndio?</li>
<li>O apartamento pegou fogo.</li>
<li>Hein? Que apartamento?</li>
<li>Esse aqui que eu estou e que a gente ia dormir&#8230; Tá tudo queimado.</li>
</ul>
<p>A banda pegou um ônibus e voltou pra ver o que tinha acontecido. O apartamento do amigo Gilmar era novinho, estava todo pintado e limpinho quando eles o deixaram três horas atrás. Agora estava fedendo a fumaça e todo preto. Os instrumentos se salvaram, mas as roupas foram todas carbonizadas. Suspeitaram que foram os colchões que estavam tomando sol na varanda&#8230; Cigarro, brasa, colchão, vento…</p>
<p>Mas o show deveria continuar e, com a roupa do corpo e ainda atordoados pelos acontecimentos, foram tocar. Não tocaram. Na primeira música o som estourou e houve um princípio de incêndio, rapidamente controlado.</p>
<ul>
<li>Porra, que urucubaca da porra é essa? – perguntou Morotó, o guitarrista.</li>
</ul>
<p>Desanimados pelo show que não teve e mais atordoados ainda, se dirigiram à Universidade Federal. Era lá que fariam o segundo show (no dia seguinte) e conseguiram assim, com a produção do show, uma sala de aula para dormir. Deram a sala do DCE. Joe, o baixista, se adiantou e tomou posse da mesa de sinuca. Assim ele tinha uma pequena camada de feltro para as suas costas. O resto dormiu em cima dos biombos que eram usados para a exposição de fanzines.</p>
<p><iframe class="youtube-player" width="640" height="360" src="https://www.youtube.com/embed/KhZ2KP00Huo?version=3&#038;rel=1&#038;showsearch=0&#038;showinfo=1&#038;iv_load_policy=1&#038;fs=1&#038;hl=pt-BR&#038;autohide=2&#038;wmode=transparent" allowfullscreen="true" style="border:0;" sandbox="allow-scripts allow-same-origin allow-popups allow-presentation allow-popups-to-escape-sandbox"></iframe></p>
<p>No dia seguinte, de tarde, foram testar o som. Como uma passagem de som começa pela bateria, aproveitando o fato do show ser a dois andares de onde estavam hospedados e não suportando mais o próprio cheiro, usando a mesma roupa desde que saiu de Salvador, dois dias atrás, Morotó disse:</p>
<ul>
<li>Vão na frente que eu vou tomar um banho enquanto Rex monta a bateria…</li>
</ul>
<p>Apenas uma toalha de banho se salvou e ainda assim, parcialmente. Era a única que estava fora da mala. Só dava pra se enxugar com as pontas, pois no meio havia um buraco enorme.</p>
<ul>
<li>Parecia que um míssil tinha passado pela toalha – lembrou Rex.</li>
</ul>
<p>Todos usaram essa mesma toalha durante toda a viagem.</p>
<p>A banda foi montando o palco, ligando os amplificadores, os instrumentos, os microfones e Moska, o vocalista, não dando atenção para a urucubaca iminente, pegou a guitarra de Morotó pra ir testando o som, enquanto o amigo se banhava. Uma rara guitarra Snake, fabricada nos anos 60. Pendurou no pescoço, mas a correia não estava presa. Foi direto ao chão.</p>
<p>Morotó tomou um susto. Enquanto passava o sabão Phebo para fixar o seu topete, Moska entrou no banheiro desesperado.</p>
<ul>
<li>O que foi, rapaz? – perguntou Morotó.</li>
<li>Aconteceu uma tragédia&#8230; – respondeu Moska, sentado no vaso, passando a mão na cabeça, nervoso&#8230;</li>
<li>Pelamordedeus, o que foi dessa vez?</li>
<li>Uma tragédia&#8230;</li>
<li>Pelamordedeus, diga logo o que foi? Rex morreu?</li>
<li>Pior&#8230;</li>
<li>Joe morreu?</li>
<li>Pior&#8230;</li>
<li>Diga logo…</li>
</ul>
<p>Aquela guitarra nunca mais foi a mesma, mas, contrariando todas as expectativas, o show foi tranquilo. Ou melhor, intranquilo, no bom sentido, se tratando dos Dead Billies.</p>
<p>Dez anos depois, em uma pizzaria, Rex se encontrou com Gilmar, o brother que emprestou o apartamento. Gilmar morava na Europa desde aquela época e a banda nunca conseguiu se desculpar pessoalmente com ele.</p>
<ul>
<li>Porra, man, queria te pedir desculpas mais uma vez – disse Rex.</li>
<li>Que nada, já passou&#8230; depois eu até dei risada&#8230; Você soube da nota que saiu no jornal de Aracaju?</li>
<li>Que nota?</li>
<li>Sobre o incêndio&#8230;</li>
<li>Não, ninguém sabe de nada, que nota é essa?</li>
</ul>
<p>A banda, em seus shows, usava um material cênico composto por, entre outras coisas, uma capa de vampiro, velas e uma caveira. E, assim como os instrumentos, esse material, milagrosamente, também se salvou. Gilmar contou que quando os bombeiros arrombaram o apartamento e encontraram a capa, as velas e a caveira junto dos instrumentos, tiraram diversas fotos. No dia seguinte, uma dessas fotos estampava o jornal com a seguinte manchete:</p>
<p>“Banda de rock incendeia apartamento em ritual satânico”.</p>
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		<title>Coluna – Ricardo Cury – Jimmy Page na Bahia e sua influência no Cascadura</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Ricardo Cury]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 18 Apr 2018 00:33:17 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Colunas]]></category>
		<category><![CDATA[Cascadura]]></category>
		<category><![CDATA[Jimmy Page]]></category>
		<category><![CDATA[Led Zeppelin]]></category>
		<category><![CDATA[Paulinho Oliveira]]></category>
		<category><![CDATA[Tony Oliveira]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Tudo começou quando um amigo de Zezão que trabalhava na Varig ligou pra ele dizendo:</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Tudo começou quando um amigo de Zezão que trabalhava na Varig ligou pra ele dizendo:<br />
– Tô vendo aqui a lista dos passageiros, tem um guitarrista que você idolatra que tá aqui em Salvador e tá indo viajar hoje. Você vai ter que adivinhar&#8230;<br />
– Chuck Berry? – perguntou Zezão.<br />
– Não.<br />
– Jeff Beck?<br />
– Não.<br />
– Jimmy Page?<br />
– Yeah.</p>
<p>Jimmy Page pegaria o voo das 20 horas em direção a Londres. Início de 1995, o mítico guitarrista do Led Zeppelin estava andando pela Bahia, conhecendo a Chapada Diamantina, pensando em morar por lá.</p>
<p>Nos anos 70, nada foi maior que o Led Zeppelin. Aliás, segundo os fãs, só uma coisa foi maior que o Led Zeppelin: o próprio Jimmy Page. Além de guitarrista virtuoso, era criativo, sendo o principal compositor e produtor da primeira banda a superar todos os números dos Beatles, porém, sem a exposição comercial do quarteto de Liverpool. Led Zeppelin era no boca a boca, não aparecia na TV, nem tocava em rádio e, ainda assim, lotava estádios e vendia discos de forma estratosférica, jamais vista. Os riffs de guitarra e os shows do Led Zeppelin foram responsáveis por fazer toda uma geração de músicos pensarem “eu quero ter uma banda de rock”. “São os novos Beatles?”, perguntavam, frequentemente, os jornais da época. “Não, são maiores”, respondiam os fãs.</p>
<p>Durante os anos 90, virou lenda dizer que Jimmy Page foi visto em algum lugar da Bahia.<br />
“O vi na padaria aqui da rua, na Pituba”, dizia um.<br />
“Ele tava aplaudindo o pôr do sol no Porto da Barra”, dizia mais um.<br />
“Vi ele na Chapada, com um saco do Paes Mendonça com a roupa dentro”, dizia mais outro.</p>
<p>Porém, a única verdade era a de que ele estaria no aeroporto 2 de Julho naquele 20 de fevereiro de 1995.<br />
– Fiquei agoniado, tinha de inventar alguma história, precisava ir lá falar com ele, levar um disco pra ele autografar&#8230; – disse Zezão.</p>
<p><figure id="attachment_3995" aria-describedby="caption-attachment-3995" style="width: 450px" class="wp-caption aligncenter"><img data-recalc-dims="1" decoding="async" data-attachment-id="3995" data-permalink="https://www.bahiarock.com.br/coluna-ricardo-cury-jimmy-page-na-bahia-e-sua-influencia-no-cascadura/jimmy-pinterest/" data-orig-file="https://i0.wp.com/www.bahiarock.com.br/wp-content/uploads/2018/04/jimmy-pinterest.jpg?fit=500%2C334&amp;ssl=1" data-orig-size="500,334" data-comments-opened="1" data-image-meta="{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}" data-image-title="jimmy-pinterest" data-image-description="" data-image-caption="" data-large-file="https://i0.wp.com/www.bahiarock.com.br/wp-content/uploads/2018/04/jimmy-pinterest.jpg?fit=500%2C334&amp;ssl=1" class="wp-image-3995 size-medium" src="https://i0.wp.com/www.bahiarock.com.br/wp-content/uploads/2018/04/jimmy-pinterest.jpg?resize=450%2C301&#038;ssl=1" alt="" width="450" height="301" srcset="https://i0.wp.com/www.bahiarock.com.br/wp-content/uploads/2018/04/jimmy-pinterest.jpg?resize=450%2C301&amp;ssl=1 450w, https://i0.wp.com/www.bahiarock.com.br/wp-content/uploads/2018/04/jimmy-pinterest.jpg?w=500&amp;ssl=1 500w" sizes="(max-width: 450px) 100vw, 450px" /><figcaption id="caption-attachment-3995" class="wp-caption-text">Jimmy Page em Lençóis/BA por Calil Neto, foto tirada do https://br.pinterest.com</figcaption></figure></p>
<p>Pra não ir sozinho e para dividir aquele momento com alguém que também o admirasse, Zezão ligou para um amigo da escola e, posteriormente, da faculdade e do rock and roll, o guitarrista Tony Oliveira, na época integrante do <a href="http://www.bahiarock.com.br/historia-do-rock-baiano-dr-cascadura/">Cascadura</a>. Chamou, chamou e ninguém atendeu.<br />
– Tentei algumas vezes e nada de Tony atender. Não tínhamos celular, o tempo foi passando e tive de ir sozinho. Peguei um Lapa-Aeroporto e fui ao encontro de Jimmy Lama.</p>
<p>Jimmy Lama chegou num Tempra preto. Saiu do carro, foi até o porta-malas, pegou sua bagagem e Zezão pensou “porra, é o cara”.<br />
– Dei aquela gelada e fui a sua direção. Cheguei com o Led IV debaixo do braço e disse “Hi, Mr. Jimmy, você poderia assinar aqui?”.</p>
<p>Enquanto Page assinava na capa, bem em cima do ancião (personagem que ele interpreta no filme The Song Remains the Same), o então estudante de jornalismo Zezão já mostrava que era um profissional promissor e mentia:<br />
– Eu sou o presidente do Mad Zaps. A Led Zeppelin’s fanclub.<br />
– Really? – perguntou Page, rindo.<br />
– Eu sei tudo sobre os seus passos aqui na Bahia.<br />
– Really? – perguntou Page, preocupado.</p>
<p>Com a veia jornalística de Zezão, esse encontro com Jimmy Page iniciou o boato (verdadeiro) de que ele estava por aqui.<br />
– Pra mim, foi foda. Eu estava em Los Angeles nessa época, estudando música, frequentando os locais que Jimmy Page frequentava quando ia por lá, pra ver se me batia com ele, e meus amigos me ligando e dizendo “vi Jimmy Page comendo acarajé no Rio Vermelho” – diz o guitarrista, cantor e compositor Paulinho Oliveira.</p>
<p>Antes de ir pra Los Angeles, Paulinho tocava em uma banda chamada Stone Bull, ao lado de Mauricio Braga na bateria, Luiz Fernando (L.F.) no baixo e Fernando nos vocais. Mesma formação do Led Zeppelin: uma guitarra, baixo, bateria e um vocalista. Além de tocar quase todo o repertório do Led Zeppelin em seus shows, a Stone Bull, em suas próprias composições, usava o Led Zeppelin como maior referência.<br />
– Imaginávamos que éramos um Led atual. Um blues pesado com a coisa do metal da época – relembra Paulinho.</p>
<p>Mauricio se espelhava em Bonham, L.F. em Jones, Fernando em Plant e Paulinho em Page. Depois de três anos (92, 93 e 94) tocando nos bares de Salvador, Mauricio, L.F. e Paulinho foram estudar no M.I. (Musicians Institute), em Los Angeles, inclusive aparecendo em uma matéria pro Fantástico, justamente falando sobre o tal instituto e os brasileiros que iam estudar música por lá. Fernando ficou em Salvador.</p>
<p>Em L.A., a banda, como um trio, ainda tentou algo. O material que deixavam nas casas noturnas começou a surtir efeito, eles receberam convites, fizeram algumas apresentações, mas a hora de voltar pro Brasil já estava chegando.</p>
<p><figure id="attachment_3996" aria-describedby="caption-attachment-3996" style="width: 450px" class="wp-caption aligncenter"><img data-recalc-dims="1" loading="lazy" decoding="async" data-attachment-id="3996" data-permalink="https://www.bahiarock.com.br/coluna-ricardo-cury-jimmy-page-na-bahia-e-sua-influencia-no-cascadura/jimmy-marcelo/" data-orig-file="https://i0.wp.com/www.bahiarock.com.br/wp-content/uploads/2018/04/jimmy-marcelo.jpg?fit=543%2C332&amp;ssl=1" data-orig-size="543,332" data-comments-opened="1" data-image-meta="{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}" data-image-title="jimmy-marcelo" data-image-description="" data-image-caption="" data-large-file="https://i0.wp.com/www.bahiarock.com.br/wp-content/uploads/2018/04/jimmy-marcelo.jpg?fit=543%2C332&amp;ssl=1" class="wp-image-3996 size-medium" src="https://i0.wp.com/www.bahiarock.com.br/wp-content/uploads/2018/04/jimmy-marcelo.jpg?resize=450%2C275&#038;ssl=1" alt="" width="450" height="275" srcset="https://i0.wp.com/www.bahiarock.com.br/wp-content/uploads/2018/04/jimmy-marcelo.jpg?resize=450%2C275&amp;ssl=1 450w, https://i0.wp.com/www.bahiarock.com.br/wp-content/uploads/2018/04/jimmy-marcelo.jpg?w=543&amp;ssl=1 543w" sizes="auto, (max-width: 450px) 100vw, 450px" /><figcaption id="caption-attachment-3996" class="wp-caption-text">Jimmy Page e Os Bichos (Salvador/BA) em 1992, foto tirada do site https://marcelobrasil.wordpress.com/2009/09/27/jimmy-page/</figcaption></figure></p>
<p>No segundo semestre de 95, já de volta, Paulinho convidou Emerson Borel (1972-2004) para montar uma nova banda. Borel tinha sido guitarrista e principal compositor de uma das bandas mais relevantes e influentes do rock da Bahia. A primeira depois do Camisa de Vênus a ter alguma projeção nacional, mesmo que ainda no iniciante mercado independente. Os riffs de guitarra e os shows da <a href="http://www.bahiarock.com.br/historia-do-rock-baiano-uteros-em-furia/">Úteros em Fúria</a>, no início dos anos 90, foram responsáveis por fazer toda uma geração de músicos baianos pensarem em ter uma banda de rock.</p>
<p>Borel e Paulinho então montaram a nova banda, mas não conseguiram baterista. Ainda sem nome, os dois viajariam juntos para passar o réveillon 95/96 em Lençóis, na Chapada Diamantina, e resolveram convidar Mauricio Braga para viajar com eles, com o intuito de, na viagem, convidá-lo para ser o baterista. Como atração do réveillon, show dos amigos do Dr. Cascadura. Chegaram lá no mesmo dia da banda.<br />
– Os Cascaduras chegaram cansados, brigando pra caralho entre si. Foi no fim daquela formação com Jean (bateria) e Candido (guitarra). A relação entre eles já estava difícil – disse Paulinho.</p>
<p>Além deles, ainda tinha uma enorme comitiva de Salvador no local. Todos os representantes do rock sujo, como Lisergia, Dois Sapos e Meio e agregados, estavam por lá. Todo mundo no camping, bebendo e fumando tóxico.</p>
<p>Os rumores de que Jimmy Page também estava na pequena cidade para o réveillon surgiu com ares de histórias de duende:<br />
– Vi Jimmy Page na Cachoeira do Sossego, é sério, eu juro. Ele tava até com um saco do Paes Mendonça&#8230; – jurou um dos integrantes da comitiva.</p>
<p>Um dia antes do réveillon, porém, Paulinho, Borel e os amigos Polho e Nei Bahia estavam num bar, de frente pra enorme ladeira da praça principal da cidade, sozinhos, quando Borel disse, quase parafraseando Moraes Moreira, “lá vem Jimmy Page descendo a ladeira”. Os outros olharam pra trás e confirmaram: era Jimmy descendo a ladeira, indo na direção deles.</p>
<p>Ficaram assistindo à cena, Jimmy descendo e cada um pensando no que fazer. O que iriam falar, se é que iriam falar alguma coisa&#8230; Ali estavam dois guitarristas do rock de Salvador, no meio do interior da Bahia, tendo um contato imediato com o guitarrista que fez eles dois pensarem um dia em ser guitarristas&#8230; E Jimmy foi chegando, chegando, chegando, todo mundo em silêncio, e quando finalmente Jimmy chegou, Borel levantou seu copo de cerveja e disse em bom tupi-português-guarani:<br />
– Mr. Jimmy. Comer água.<br />
Mr. Jimmy apenas sorriu, disse “não, não, muito obrigado”, seguiu seu caminho e foi embora, de short, chinelos, com os cabelos grudentos e um saco do Paes Mendonça.</p>
<p><iframe loading="lazy" class="youtube-player" width="640" height="360" src="https://www.youtube.com/embed/qm8VX6o1Hhc?version=3&#038;rel=1&#038;showsearch=0&#038;showinfo=1&#038;iv_load_policy=1&#038;fs=1&#038;hl=pt-BR&#038;autohide=2&#038;wmode=transparent" allowfullscreen="true" style="border:0;" sandbox="allow-scripts allow-same-origin allow-popups allow-presentation allow-popups-to-escape-sandbox"></iframe></p>
<p>Durante a festa do réveillon, a pergunta “será que ele vai aparecer?” era feita a todo o momento. O bar Lajedo estava cheio e o Dr. Cascadura fez seu show. No final, naquele fim de festa, Jean e Candido cederam lugar pra Mauricio e Paulinho tocarem uma música com o resto da banda. Ninguém imaginava que num futuro bem próximo aquela seria a formação que gravaria o segundo disco da banda. Paulinho colocou a guitarra em seus braços e, quando ia tacar um riff, olhou pra porta e viu Mr. Jimmy adentrando o ambiente.<br />
– Eu sempre quis me encontrar com ele, mas não como um fã e sim como um colega de trabalho, com alguém nos apresentando “Jimmy, esse é Paulinho, um guitarrista de Salvador” – disse o músico.</p>
<p>A ocasião era aquela. Papéis invertidos. Jimmy era quem estava na plateia e ele no palco, com uma banda de rock and roll, uma calça boca de sino e uma Telecaster ligada no amplificador. O destino estava se encarregando de fazer a tal apresentação, dizendo “Jimmy, esse é Paulinho, um guitarrista de Salvador”.</p>
<p>Na mente de Paulinho, junto com o álcool, vieram todas aquelas músicas, solos de guitarra e performances magistrais. Se ele tocasse “Stairway to Heaven”, certamente seria linchado por todos, inclusive pelo próprio Jimmy. Então se lembrou de que a primeira música que Jimmy tocou junto com John Bonham, Robert Plant e John Paul Jones foi “The Train Kept a Rollin”, dos Yardbirds, e, sem pestanejar, atacou com ela. A banda seguiu com ele.<br />
– Foi uma homenagem meio que piada interna, tipo “sou seu fã, mas não vou babar seu ovo”. Poderia ter tocado uma do Led, mas preferi ser mais sutil – contou o guitarrista.</p>
<p>Paulinho disse que não sabe a reação de Jimmy, mas Nei Bahia, testemunha ocular, disse que da mesma forma que ele entrou, ele saiu.<br />
– Ele entrou, falou com o dono do bar, Paulinho iniciou a música, ele a reconheceu instantaneamente, se despediu do dono do bar, deu meia volta e foi embora – relatou Nei, compositor, parceiro de inúmeras músicas do Cascadura.</p>
<p>O cara foi o ícone dos anos 70, do movimento hippie, do rock and roll, da calça boca de sino, das batas e, 20 anos depois, sai da Inglaterra pra ir morar no interior da Bahia, em busca de sossego, e chega lá tem um flashback desses, se deparando com um lugar cheio de cabeludo, de boca de sino, miçangas, barbas mal feitas, batas, tocando rock and roll, tocando as músicas que ele tocava&#8230; “Quando esse ácido vai passar?”, pensou Jimmy.</p>
<p><figure id="attachment_3994" aria-describedby="caption-attachment-3994" style="width: 450px" class="wp-caption aligncenter"><img data-recalc-dims="1" loading="lazy" decoding="async" data-attachment-id="3994" data-permalink="https://www.bahiarock.com.br/coluna-ricardo-cury-jimmy-page-na-bahia-e-sua-influencia-no-cascadura/cascadura1999/" data-orig-file="https://i0.wp.com/www.bahiarock.com.br/wp-content/uploads/2018/04/cascadura1999.jpg?fit=600%2C394&amp;ssl=1" data-orig-size="600,394" data-comments-opened="1" data-image-meta="{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}" data-image-title="cascadura1999" data-image-description="" data-image-caption="" data-large-file="https://i0.wp.com/www.bahiarock.com.br/wp-content/uploads/2018/04/cascadura1999.jpg?fit=600%2C394&amp;ssl=1" class="wp-image-3994 size-medium" src="https://i0.wp.com/www.bahiarock.com.br/wp-content/uploads/2018/04/cascadura1999.jpg?resize=450%2C296&#038;ssl=1" alt="" width="450" height="296" srcset="https://i0.wp.com/www.bahiarock.com.br/wp-content/uploads/2018/04/cascadura1999.jpg?resize=450%2C296&amp;ssl=1 450w, https://i0.wp.com/www.bahiarock.com.br/wp-content/uploads/2018/04/cascadura1999.jpg?w=600&amp;ssl=1 600w" sizes="auto, (max-width: 450px) 100vw, 450px" /><figcaption id="caption-attachment-3994" class="wp-caption-text">Paulinho Oliveira no Cascadura em 1999, foto tirada do site http://portalcascaduratemp.blogspot.com.br/</figcaption></figure></p>
<p>Cinco dias depois, já em Salvador, Fábio Cascadura fez oficialmente o convite para Paulinho e Mauricio Braga entrarem na banda no lugar de Jean e Candido.<br />
– Para Jimmy Page deve ter sido um inferno, mas pra gente foi uma coisa mística, e quando Fábio fez o convite, todos nós, sonhadores, pensamos “claro que vai dar certo, aquilo foi um sinal dos deuses do rock” – relembra Paulinho.</p>
<p>Mas na verdade, o evento do réveillon só fez desmistificar a coisa. Ver Jimmy Page mulambento, vestido com a camisa da banda carioca Zumbi do Mato, fumando Free Light, totalmente farofeiro, arruinou com o mito. Daí vem o apelido soteropolitano de Jimmy Lama.</p>
<p>E no primeiro dia do ano de 1996, Paulinho, Polho, Nei Bahia e Borel estavam no Uno, andando por Lençóis, fim de tarde, durante o crepúsculo, quando avistaram Jimmy Lama encostado no muro da pequena ponte, fumando seu Free Light, todo maltrapilho. Se Paulinho era fã mas não iria babar o ovo, Borel era fã, não iria babar o ovo e ainda faria sua reverência de forma mais particular. Ao passarem por ele, o saudoso Borel botou a cara na janela e, depois de “Mr. Jimmy, comer água”, a segunda mensagem que mandou pra o seu maior ídolo da juventude foi:<br />
– Mr. Jimmy, o caminhão de lixo já passou&#8230;<br />
Mr. Jimmy apenas sorriu, acenou e ficou ali, de short, chinelos e seu inseparável saco do Paes Mendonça.</p>
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		<title>Coluna &#8211; Ricardo Cury &#8211; Maria Bacana &#8211; O porquê das coisas&#8230;</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Ricardo Cury]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 28 Feb 2018 12:00:47 +0000</pubDate>
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		<category><![CDATA[Coluna]]></category>
		<category><![CDATA[Maria Bacana]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O porquê das coisas&#8230; Na historia do rock, quando uma banda que tem tudo pra</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<h2>O porquê das coisas&#8230;</h2>
<p>Na historia do rock, quando uma banda que tem tudo pra dar certo não dá certo, é como um acidente de avião. Nunca é um fator só. As causas para a não concretização do plano de voo são inúmeras, as respostas para as questões que se formam são sempre subjetivas e cada historia é singularmente peculiar.</p>
<p>Hoje, passados mais de dez anos desde o final dos anos 1990, já é possível fazer um levantamento, pelo menos superficial, de algumas historias daquela época.</p>
<p>Na década anterior, os famosos anos 1980, em uma entrevista para a jornalista Leilane Neubarth, a primeira da carreira da banda para a TV, perguntado sobre o sucesso da banda, Renato Russo respondeu:<br />
– Sucesso?!</p>
<p>A Legião Urbana quando deu aquela entrevista estava no processo de gravação do seu primeiro disco que, obviamente, ainda não havia sido lançado, então: como já era “sucesso”? Uma das respostas é que naquela época, o simples fato de uma banda sair da sua cidade natal e ir para RJ ou SP gravar um disco já era sinal de sucesso. Esse mito permaneceu por muito tempo. Ainda em 96 eu tinha uma banda de rock e só porque a banda fez um show no Rio de Janeiro, ouvi o comentário “pooooorra, show no Rio, ta fazendo sucesso, hein?!”.</p>
<p>Entrevista Legiao Urbana:<br />
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<p>Grandes merdas show no Rio. Era só pegar uma fita demo, mandar pra vários lugares e esperar uma carta chegar ou o telefone tocar quando você estivesse em casa. Alguma carta de algum lugar chegando, era só marcar um show, concordar em pagar os custos e dividir o lucro (?), pedir o endereço e pegar a estrada. Grandes merdas fazer um show no Rio. Demoramos mais de dois dias pra chegar, num Uno Mille, tocamos pra cinco pessoas e voltamos pra mais dois dias de estrada. Num Uno Mille.<br />
– Sucesso?!</p>
<p>Pra chegar ao que se convencionou chamar de “sucesso” é preciso muito mais do que ir gravar no Rio ou SP, ou ser elogiado por jornalista. A soma das vendas de Beatles, Led Zeppelin, Pink Floyd, Guns and Roses e Nirvana só é menor do que o numero de bandas que acharam que chegariam la. Bandas que só ganharam elogios, sem saber que ganhar elogio é talvez a parte mais fácil da coisa toda.</p>
<p>Diz a lenda que o jornalista baiano Hagamenon Brito tomou um a zero quando, em 1995, em uma conversa com o guitarrista Dado Villa-Lobos, perguntou a ele:<br />
– E ai, Dado, o que é que ta rolando de som? Alguma novidade no rock?<br />
O guitarrista respondeu?<br />
– Já ouviu Maria Bacana, daí de Salvador?<br />
As más línguas dizem que Hagamenon ainda perguntou “Quem? Maria Bethania?!”.</p>
<p>Uma semana depois, Morotó, guitarrista dos Dead Billies, estava fazendo 20 anos de idade e fez uma festa em sua casa. Na sala, ao invés de uma mesa com comidas, tinha uma mesa com bebidas e, ao lado, uma bateria, uma guitarra, um baixo, amplificadores e microfones. Foi um show histórico para convidados. Depois dos Dead Billies, outros três caras “subiram no palco”. Eram uns caras que, assim como os Billies, eram dali, do Bonfim. Minha primeira reação foi “oxe, quem é esse magrelo, espinhento, de calça rasgada?”. Quando eu pensei isso, Bola perguntou pra mim:<br />
– Já viu esses caras?<br />
– Não – respondi.<br />
– Também não – respondeu ele –, mas eu tenho a fita demo, é legal&#8230;</p>
<p>E a banda atacou. Guitarra, baixo e bateria, tocado de forma alta, suja e, sobretudo, muito bem ensaiada.<br />
“A gente ensaiava religiosamente todo sábado e todo domingo, o dia todo”, disse Macello Medeiros, baterista.</p>
<p>O estúdio de ensaio era em um quarto nos fundos da casa da avó dele, dona Maria, que liberou o espaço sem hesitar nem reclamar do barulho. Se os Paralamas do Sucesso homenagearam vovó Ondina, a avó de Bi Ribeiro, pelo mesmo motivo na musica “Vovó Ondina é gente fina”, Macello, André e Lelê homenageariam vovó Maria no nome da banda: Maria Bacana.</p>
<p>Outro motivo – menos nobre – do nome é o fato dele conter as mesmas iniciais da banda antiga do trio, chamada Master Brain. Heavy Metal cantado em inglês com referencia em Black Sabath, Metallica e Iron Maiden “até que André descobriu os Mutantes e chegou dizendo que tinha feito musicas novas”, diz Macello.</p>
<p>Para Andre L. R. Mendes (guitarra e voz) tanto quanto Mutantes, uma forte influencia foi Ratos de Porão: “ali eu percebi que podia fazer um som pesado cantando em português”, disse.</p>
<p>Com nome novo e musicas novas, gravaram uma fita demo composta por três musicas e bateram (via Correios) nas portas de diversas gravadoras e selos independentes (que pipocavam) no Brasil. Uma dessas portas foi a do jornalista Sergio Espírito Santo, que trabalhava naquele momento na produção de um CD só com novas bandas do Brasil, que se chamaria Brasil Compacto e que seria lançado pela Rockit!, selo criado pelo guitarrista da Legião Urbana, Dado Villa-Lobos.</p>
<p>– Ouve isso aqui – pediu Espírito Santo e os três acordes com melodias cantadas em português atingiram em cheio o guitarrista da banda que, 10 anos antes, se tornara a maior em vendas no Brasil a partir de um primeiro disco recheado de três acordes com melodias cantadas em português.</p>
<p>– Recebi uma fita K7 com três faixas e bateu na hora. Não existia vídeo, o material fotográfico era precário, sabíamos apenas que vinham de Salvador. Foi só a musica. A música contagiou a todos no escritório e logo pensamos em como viabilizar o projeto de um disco. Era algo que estávamos buscando – diz o então dono de gravadora Dado Villa-Lobos.</p>
<p>O simples e singelo verso “você me faz pensar” da musica Caroline, composta na tal fita demo, fez Dado comentar assustado “tem uma musica do Aborto Elétrico que nunca foi lançada que fala ‘você me faz pensar’”, disse ele, sobre a banda que depois viraria Legião Urbana.</p>
<p>Com a participação garantida na coletânea Brasil Compacto, a Maria Bacana tocou em todos os buracos de Salvador, sempre chamando a atenção de um publico ainda pequeno, porém, a todo o momento, cada vez maior. Esses shows foram fundamentais para preparar a banda para o lançamento do Brasil Compacto, no festival Humaitá pra Peixe, Rio de Janeiro, no final de 1995.<br />
– Não tinha muita gente, mas todo mundo que tava la tinha a ver com a coisa – relembra André.<br />
“Vim aqui só pra ver o show de vocês”, disse Fred, então baterista dos Raimundos, para ele.</p>
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<p>O show foi impecável. Somado aos ensaios exaustivos que se obrigavam a ter, os inúmeros shows nos inferninhos de Salvador deixaram a banda extremamente competente em cima de um palco, sempre impressionando pelo impacto de ser um trio que sabia tocar alto, pesado e, no meio disso tudo, ainda garantir o espaço da melodia. O assoviável dos Mutantes com os três acordes do punk rock.<br />
– Podemos dizer que o pré-emo esta ali – avalia Dado, sem soar pejorativo.</p>
<p>Além dos Raimundos, estavam presentes nesse show músicos do Planet Hemp, Little Quail e Rappa, assim como jornalistas e a MTV, todos rasgando elogios ao trio.</p>
<p>Em uma época onde só se falava de maconha e putaria no rock, uma banda falando de coisas mais existenciais e até mais ingênuas foi um sopro de vida até para os próprios responsáveis pela maconhagem e pela putaria. Em pouco tempo, a imprensa de Rio e SP (e fanzines Brasil afora) se rendeu. “Legião Bacana” dizia uma das matérias da revista Bizz, fazendo uma inevitável comparação.<br />
– Em pouco tempo a gente estava sendo elogiado por quem a gente admirava – assume André, antecipando um dos fatores que seria responsável pela mudança da maré.</p>
<p>E o show no Rio empolgou tanto a produção que a banda foi de ônibus e voltou de avião, numa época em que andar de avião não era tão acessível, ainda mais se tratando de uma banda de rock de Salvador. O aeroporto ainda se chamava Dois de Julho. Do ponto de vista histórico, os anos 1990 foram ontem, acabamos de vivenciá-los, mas ainda assim é assustadoramente diferente dos dias atuais.</p>
<p>Das bandas do Brasil Compacto, três tiveram investimentos para um vídeo clipe: a também iniciante Eddie, de Pernambuco (Fabio Trummer); Tiroteio, de São Paulo; e Maria Bacana. Feito por Raul Machado, premiado diretor naquele meio de década, o clipe de “Caroline” passava com certa freqüência na MTV, em uma época em que isso era como uma banda de rock de Salvador andar de avião. A banda ainda concorria ao importante premio de Banda Revelação pela revista Bizz, também em uma época em que isso&#8230;<br />
– Ali, se um clipe seu passasse uma única vez na MTV, você tinha até 15 dias pra aproveitar a fama e ser reconhecido na rua – diz Rogerio Big Brother, produtor cultural de Salvador.</p>
<p>Clip Caroline:<br />
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<p>Conversando com ele sobre o tema “bandas que achávamos que iam chegar la, mas não chegaram”, ele disse:<br />
– E Lacertae? – banda sergipana que também estava na coletânea Brasil Compacto. – Os caras saíram de Lagarto, no interior do interior de Sergipe e foram direto, sem escala, pra São Paulo. Todo mundo da MTV dizendo que eles eram legais, todo mundo da Bizz dizendo que eles eram legais, a Folha de São Paulo dizendo que eles eram legais, ficaram seis meses em São Paulo com todo mundo dizendo que eles eram legais, mas ai, de repente, as pessoas que achavam eles legais foram desaparecendo, desaparecendo e eles voltaram pra Lagarto – finaliza Big Brother.</p>
<p>Para a Maria Bacana o ano de 1996 começava com indícios de que o “chegar la” era questão de tempo. A correnteza de acontecimentos se encarregaria de levar a banda. Os shows em Salvador estavam sempre cheios e o tão sonhado primeiro disco finalmente seria gravado. Agora seria um disco só deles.<br />
Foram pro Rio de Janeiro e ficaram hospedados na casa do diplomata Jayme Villa-Lobos, pai do guitarrista. Um dos motivos para isso foi o barateamento da produção, economizando com hotel. Ironicamente, essa economia significava uma cobertura na Gávea, só para eles, três pirralhos de Salvador&#8230;<br />
– Naquele momento a gente percebeu que a coisa era muito mais do que uma “simples” relação gravadora-banda. Houve uma identificação, uma admiração e, principalmente, uma amizade entre a gente. Foi tudo muito acolhedor – disse André.</p>
<p>O local escolhido para a gravação foi o mega estúdio novinho em folha A.R., então conhecido como “o melhor estúdio do Brasil”, e foi produzido por Dado Villa-Lobos e por um promissor produtor ainda não tão conhecido, como viria a ser, chamado Tom Capone.<br />
“A banda vai estourar”, dizia o burburinho.</p>
<p>Eu tive algumas oportunidades de conversar com Tom Capone e em uma delas o assunto foi Maria Bacana:<br />
– Aquela banda era foda e aquelas musicas são fodas. A única coisa que eu me arrependo é que eu não tive tempo pra mixar o disco. Quem mixou foi um cara que faz a mixagem dos discos do Djavan, ai ele deixou tudo meio limpinho&#8230; – lamentou Capone, que veio do underground de Brasília e enquanto trabalhava com Maria Bacana já estava sendo requisitado para as mais altas produções fonográficas. Colocando uma sonoridade inovadora por onde passava, artistas consagrados como Gilberto Gil, Barão Vermelho e Skank também passaram a clamar por seu talento. Como produtor do primeiro disco da cantora Maria Rita, ganhou um Grammy em 2004. Após receber o prêmio, saiu pelas ruas de Los Angeles em sua Harley Davidson, sofreu um acidente de transito e morreu.</p>
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<p>Com o disco gravado, a Maria Bacana tocou no festival Close-up, em São Paulo, ao lado de David Bowie, No Doubt e outras bandas iniciantes que, como eles, ainda eram promessas: Charlie Brown Jr, Pavilhão 9, Skamundongos e a conterrânea Catapulta. Todas elogiadas pela MTV, Bizz e Folhas, todas na corrida pelo pódio e com chances de vitoria.</p>
<p>Dessas bandas, Skamundongos sumiu; Catapulta, com o inevitável trocadilho, não catapultou; Pavilhão 9 conseguiu algo, mas nada comparável ao Charlie Brown Jr, que quebrou todos os recordes de vendas e de paciência. E Maria Bacana&#8230;</p>
<p>Se o show no Humaitá pra Peixe foi incrível porque foi para um pequeno grupo seleto, esse foi mais incrível ainda porque foi para uma pequena multidão, com milhares de pessoas cantando juntos musicas da Maria Bacana. “Agora vai”, pensaram todos os envolvidos, inclusive Rafael Borges. Se já não bastasse a imprensa comparar a Maria Bacana com a Legião Urbana, de o guitarrista desta ser o produtor executivo e musical do disco, agora era Rafael Borges, o empresário da própria Legião Urbana, quem apostava neles. “Agora vai.”</p>
<p>Macello lembra de uma noite em que ele foi tomar uma cerveja com um técnico da equipe e no meio da bebedeira ele descobriu que eles seriam os outros que trabalhariam no lugar da Legião Urbana. Depois de um “não sei se digo”, o tal técnico disse:<br />
– Rafael ta colocando toda a equipe da Legião pra trabalhar com vocês, ele falou pra gente que quer transformar vocês num novo Legião Urbana.</p>
<p>Mas acontece que um tal de destino apareceu por la. E o que parecia ser vantajoso se tornou o inverso. Em outubro daquele ano, Dado Villa-Lobos e Rafael Borges tiveram de esquecer a Maria Bacana e todas as outras bandas com que trabalhavam – Dado com as da sua gravadora e Rafael com todo seu elenco que incluía, entre outros, Cássia Eller e Kid Abelha – para cuidar dos interesses de apenas uma banda. Naquele mês, a Legião Urbana terminava suas atividades com a morte de Renato Russo e as pessoas mais próximas a ele eram justamente as pessoas de quem dependia o trabalho da Maria Bacana. E tudo isso justamente no peculiar momento de lançamento de um primeiro disco. Ninguém conseguia fechar shows com a Maria Bacana, ninguém encontrava os discos nas lojas.</p>
<p>A Legião Urbana, banda que de certa forma gerou a chance de sucesso da Maria Bacana, com o seu fim, gerou também o fim da Maria Bacana? Esse motivo, por mais intrigante e irônico que pareça, seria simples demais se fosse o único.</p>
<p>Dado Villa-Lobos avalia de forma mais fria e traz argumentos:<br />
– Foi um momento conturbado pra mim, para Rafael e todos à nossa volta, talvez esse seja um de vários motivos do &#8220;fracasso&#8221;, não o único&#8230; Os discos não chegavam às lojas porque a distribuidora EMI/Virgin não colocava; não colocava porque não havia demanda; não tinha demanda porque não tocava no rádio; não tocava no rádio porque não tínhamos a montanha de dinheiro exigida pro jabá. Impossível querer de um selo como a Rockit! financiar o &#8220;marketing&#8221; vigente à época, algo a se lamentar, pois havia a confiança na possibilidade de a Maria Bacana alcançar algum êxito no plano nacional, mas faltou dar um passo além, faltou jabá. Simples assim.&#8221;</p>
<p>Passada a fase do luto, passava com ela a fase dos elogios e chegava-se a fase seguinte, o tal passo além, a fase do dinheiro. Tem?<br />
Macello lembra também de depois de um show, no meio do camarim, uma produtora renomada entrou e foi bem direta:<br />
– Se tiver 50 mil reais eu estouro. Com Charlie Brown Jr precisei de R$150 mil, mas com vocês só preciso de R$50 mil, tem?<br />
Não tinha.<br />
Uma época estranha esse fim dos anos 1990. As chamadas grandes gravadoras estavam desmoronando em praça publica, mas ainda assim se buscavam contratos com elas e ainda assim se usavam as mesmas ferramentas que estavam fazendo aquele próprio império ruir.</p>
<p>Mesmo antes da morte de Renato Russo, Rafael Borges já sabia que o futuro da “sua” grande banda era mais que incerto. A fila precisava andar e tudo indicava que era a vez da Maria Bacana. Mas saber que o próprio produtor das duas bandas pensava de forma tão megalomaníaca mexeu com a cabeça de André, principalmente depois de que nada passou a acontecer de fato.</p>
<p>– Cadê a turnê? – se perguntavam os três e a resposta era sempre “a Rockit! não tem dinheiro”.<br />
Em um instante, de uma hora pra outra, Dado Villa-Lobos foi de guitar-hero a vilão. Entre desentendimentos e impulsos juvenis, a banda, com exceção de Macello (o mais velho dos três), passou a responsabilizá-lo pela desilusão e decidiram ignorar o contrato e tudo o que já tinha sido feito. Que “livres” e que apenas com Rafael Borges eles conseguiriam um outro contrato, dessa vez com uma grande gravadora.<br />
Hoje lamentam:<br />
– Fomos escrotos e filhos da puta com Dado. Subi no salto, eu pensei ‘eu sou foda’ e vou fazer o que quiser&#8230; Fazer o que? Num momento eu sou um guri de Salvador, da cidade baixa e de repente eu estava no Rio, sendo chamado de gênio&#8230; Tinha dezessete anos, não segurei a onda, é uma pena – avalia André.</p>
<p>Depois de uns dez anos sem saber dele, liguei pra Lelê, baixista, pra ouvir sua versão:<br />
– A verdade é que a gente vacilou com Dado e com todos na Rockit!, a gente endoidou. Ele foi um guerreiro, conseguiu diretores de vídeo clipe, abriu a casa do pai dele pra gente, pagava nossas passagens e a gente deu mole. Tudo foi rápido demais, em um instante já queríamos algo bem maior&#8230; Ele ainda mandou uma carta pra cada um de nós, pedindo pra gente não procurar outra gravadora, gravar um segundo CD com ele, mas recusamos e naquele momento eu também já estava pensando em sair.</p>
<p>Em sua carreira, além do Close-up em São Paulo, a Maria Bacana fez algumas apresentações interessantes, como a abertura dos shows de Cássia Eller na Concha Acústica, em Salvador, e no Canecão, no Rio de Janeiro (após o show a cantora Elba Ramalho fez questão de ir no camarim conhece-los); tocou no inovador evento Expo Alternative, também no Rio e no festival Abril pro Rock, em Pernambuco. E cancelou alguns de forma irresponsável. Havia um publico enorme em Aracaju, recebiam inúmeras cartas de la e Rafael Júnior, musico e produtor cultural da cidade fechou um show com a banda. Mas, na véspera, André desmarcou, colocando mentiras e burocracias no rock, ao dizer que a Rockit! os proibiu de tocarem nesse evento, quando o verdadeiro motivo foi o de que o evento não tinha sido fechado por Rafael Borges.<br />
– Marquei o show, tudo bem acertadinho, claro e limpo. Fiz cartaz, busquei patrocinadores, comecei a divulgar e quando consegui falar com eles (depois de um tempo dizendo que “não estavam”), vieram com uma conversa esquisita de que foram proibidos pela gravadora de tocar – relembra Rafael Jr, que, imediatamente, através de uma carta, entrou em contato com a Rockit! pra deixar clara a sua indignação, questionando “como eles (um selo alternativo) atrapalharam um pequeno produtor que fazia o rock gerar e trabalhava com seriedade, pela música, fazendo as coisas acontecerem numa cidade provinciana”.</p>
<p><figure id="attachment_3462" aria-describedby="caption-attachment-3462" style="width: 450px" class="wp-caption aligncenter"><img data-recalc-dims="1" loading="lazy" decoding="async" data-attachment-id="3462" data-permalink="https://www.bahiarock.com.br/coluna-ricardo-cury-maria-bacana-o-porque-das-coisas/mariabacana96-por-marcos-bragatto-rock-em-geral/" data-orig-file="https://i0.wp.com/www.bahiarock.com.br/wp-content/uploads/2018/03/mariabacana96-por-marcos-bragatto-Rock-Em-Geral.jpg?fit=450%2C287&amp;ssl=1" data-orig-size="450,287" data-comments-opened="1" data-image-meta="{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}" data-image-title="mariabacana96 por marcos bragatto Rock Em Geral" data-image-description="" data-image-caption="&lt;p&gt;Por Marcos Bragatto &amp;#8211;&lt;br /&gt;
 Rock Em Geral&lt;/p&gt;
" data-large-file="https://i0.wp.com/www.bahiarock.com.br/wp-content/uploads/2018/03/mariabacana96-por-marcos-bragatto-Rock-Em-Geral.jpg?fit=450%2C287&amp;ssl=1" class="size-medium wp-image-3462" src="https://i0.wp.com/bahiarock.com.br/wp-content/uploads/2018/03/mariabacana96-por-marcos-bragatto-Rock-Em-Geral-450x287.jpg?resize=450%2C287" alt="" width="450" height="287" /><figcaption id="caption-attachment-3462" class="wp-caption-text">Foto por Marcos Bragatto &#8211; Rock Em Geral</figcaption></figure></p>
<p>Sérgio Espírito Santo, ao ler a carta, ligou na hora. E pra surpresa de Rafael Jr, disse que a Rockit! não tinha nada a ver com aquilo, que nem sabiam do evento e que todos la também estavam decepcionados com eles.<br />
Para Macello, o único a discordar das atitudes dos companheiros (e que estava atento a todas as nuances), isso foi o começo do fim. Isso e o fato de Lelê ter pedido as contas.<br />
– Deixei a banda porque estava sentindo a necessidade de construir uma família e a banda já não me dava mais garantias nenhuma&#8230; Ou investia no meu sonho de rock and roll ou montava uma família com minha esposa; optei pela família e abandonei meu grande sonho que até hoje me persegue – resigna-se o baixista.</p>
<p>Para André e Macello, o tecido do sonho do rock ainda se mantinha, mas os fios já começavam a se esfarrapar. Sem Lelê, testaram inúmeros baixistas, mas nenhum conseguiu trazer aquela vibração de volta. Com nova formação, gravaram uma outra fita demo e bateram na porta de outro Rafael, o Ramos, que estava naquele show de lançamento pra um grupo seleto e ficou na frente do palco, hipnotizado, vendo a Maria Bacana tocar. Rafael Ramos, o responsável direto pelo surgimento dos Mamonas Assassinas e que naquele momento era um produtor musical promissor (produziria Los Hermanos e Pitty) respondeu logo em seguida e disse que tinha total interesse em produzir o segundo disco deles.<br />
Com essa promessa, André pensou que estavam salvos. Mas Rafael só se mostrou empolgado até o momento em que ouviu as novas musicas.<br />
– Aconteceu que aquela banda que ele gostava não existia mais – assume André, melancolicamente.<br />
E, enfim, melancolicamente, aquela banda então, literalmente, deixou de existir.</p>
<p>Dez anos depois, em 2007, André, Lelê e Macello se reuniram novamente numa festa de um amigo em comum, como aquela festa dos Dead Billies.<br />
– Esse dia foi uma coisa incrível, parecia que nunca tínhamos parado, foi algo mágico, impressionante, sobrenatural. Macello fazia “3,4” e a musica entrava. É uma das sensações que vou levar pra sempre comigo – se emociona Lelê.</p>
<p>– O que fica são as canções, Primavera, Caroline, Luvas, Bem Pensado&#8230; Como gravadora não correspondemos à expectativa do artista, expectativa essa meio fantasiada pelos sonhos do próprio artista. Esse mundo é cruel! – finaliza Dado.</p>
<h2><strong>Obs:</strong></h2>
<p>Atualmente a Maria Bacana está com um projeto de crowdfunding para gravar um novo disco, confiram mais informações no link: <a style="text-transform: initial;" href="https://www.catarse.me/mariabacana2017">https://www.catarse.me/mariabacana2017</a></p>
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