Review – Álbum – My Friend is a Gray – Tasca

Em seu primeiro álbum, Tasca (o que isso significa mesmo?), a My friend is a gray apresenta uma sonoridade que, na minha cabeça, logo sugeriu a associação “Queens Of The Stone Age + The Killers”. Explico: tem muito do stoner rock (e da sua faceta mais “pop”, o QOTSA) nas guitarras pesadas, na “chapação” e tudo mais, mas também traz ecos do indie rock dançante dos anos 2000 pra cá. Ou talvez seja a voz do vocalista… tudo isso embebido de temática alienígena-sci-fi-atormentada, mas com uma certa dose de humor (presente desde o trocadilho no nome da banda).

A primeira faixa, “1938”, inaugura esse clima de paranoia intergaláctica descrevendo uma invasão de seres extraterrestres dotados de armas laser (mas bem que poderia ser uma metáfora para a instauração iminente de um governo ditatorial), deixando claro que “nobody is safe” (“ninguém está seguro”) e com gritos de terror – o que acaba lembrando outra banda baiana, os lendários Dead Billies.

Outros destaques são “Susan”, na qual um ritmo cadenciado embala um clima de desesperança e descrença na realidade, afinal, “this life is a lie” (“esta vida é uma mentira”), mas “you keep pretending it´s fine” (“você continua fingindo que está tudo bem”); “What a bad day”, que começa melancólica, mas irrompe numa parede de guitarras, enquanto avisa: “nobody cares about your problems” (“ninguém se importa com seus problemas”); e “Swamp thing” (que pode ser traduzido como “Monstro do pântano”), que tem uma melodia arrastada, e do meio pro fim, as guitarras silenciam e destacam o baixo distorcido, para em seguida retornarem em um solo bem viajante.

Ainda temos uma referência ao filme “De volta para o Futuro” (em “McFly”), onde são mencionadas “nerdices” como “wormholes” (“buracos-de-minhoca”) e “spacetime” (“espaço-tempo”). E o álbum termina com “Nibiru” – que conta com a participação de Jajá Cardoso da Vivendo do Ócio –, referência ao planeta que, segundo alguns acreditam, um dia irá colidir com a Terra e acabaria com a vida por aqui, pedindo que ele nos deixe viver mais um pouco antes de acabar com a nossa existência.

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