Review – Álbum – Rubra – Holos

Formada por Amanda Torres (vocal/guitarra), Éverton Torres (guitarra), Tom Siqueira (baixo) e Vini Barros (bateria), a banda Rubra lançou em 2018 seu terceiro álbum, Holos. Com seis faixas, o álbum oferece um rock pesado (com alguma influência stoner, eu diria), sombrio e “noturno” (como já fica evidente na capa do disco e nos nomes das músicas); e a combinação de guitarras pesadas com vocal feminino em alguns momentos faz lembrar de bandas como Far From Alaska e da conterrânea Pitty, mas as semelhanças param por aí.

O disco começa com “Presa”, que primeiro destaca os belos vocais de Amanda, para depois seguir com riffs cortantes e bateria acelerada. A letra fala de uma “caça” como metáfora para o desejo e a paixão incontroláveis: “Esse filme me incomoda, mas não há como evitar/o prazer que me domina vai me auto sabotar!” Em seguida, temos “Armadilha”, com uma introdução muito semelhante à de “50 million year trip (downside up)” do Kyuss (olha o stoner aí, não falei?). Novamente a combinação entre o vocal intenso e atormentado e o instrumental agressivo fazem muito bem aos ouvidos – e um momento mais lírico no meio da música dá um descanso a eles, para retornar com mais barulho e distorção no final.

O clima sombrio e amargurado continua na terceira faixa, “Noite”, que lamenta: “eu não sei esquecer de mim”, e novamente termina com uma torrente de guitarras graves. “Caçador”, por sua vez, tem um ritmo mais lento e cadenciado, melódico, com exceção da explosão de distorção no refrão. As duas últimas músicas, “Sombra” e “Animal” – esta última, com a participação de Bruno Alpino e Gui de Bem, da banda brasiliense Dona Cislene – não destoam do rock pesado, nem das letras reflexivas e cheias de sentimento, encerrando um trabalho bastante coeso. Um disco para ouvir à noite, no escuro, e bebendo vinho tinto – ou melhor, rubro…

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