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Entrevista - Sérgio Franco Filho

Por Ramon Prates
Entrevista realizada por e-mail
Fotos enviadas por Sérgio

Sérgio Franco Filho continuou a se envolver com música mesmo após o fim das atividades da banda em qual cantava, Automata. O primeiro passo foi montar o seu selo independente chamado Torto Fono Gramas. Além disso, ele também está com um novo projeto musical chamado Satânia. Aqui nessa entrevista ele fala um pouco sobre ambos, confiram.

Quais lições de acertos e erros você trouxe da sua experiência com selos anteriores como, por exemplo, a Atalho Discos, para a criação do Torto Fono Gramas?

Sérgio:
A maior lição positiva certamente foi pôr em prática o que se imagina, parar de teorizar demais e lançar música, fazer as bandas comprarem a idéia. Como a Atalho funcionava assim, com as bandas prensando os discos e o selo cuidando da distribuição e promoção dos mesmos, a banda que entrasse no selo teria que aceitar prensar o seu disco; fazer de outra forma estava fora de questão. Provavelmente, o maior erro foi/é um erro pessoal: me envolver demais nos projetos a ponto de me deixar afetar por más decisões.

Como surgiu a idéia de criar um selo para divulgar bandas de música “torta”?

Sérgio:
O nome surgiu só para identificar a produção que eu fiz de um show em 2006, com mambanegra, Pessoas Invisíveis e Ecos Falsos (São Paulo). Foi completamente despretensioso. Eu já pensava em lançar o disco da mambanegra naquele ano e o nome e o som da banda eram um perfeito casamento. Como a banda acabou e o próximo artista que eu pensei em lançar foi a Yun-Fat, fazia sentido seguir essa linha: lançar bandas que mesmo dentro do cenário independente fazem um som nem um pouco fácil ou popular. O Cobalto rompe o padrão, por ser uma banda com uma boa base de fãs, etc., mas o espírito é mais ou menos o mesmo.

Hoje o selo já é um dos principais na divulgação das bandas de rock independentes baianas. O que uma banda precisa para ter seu cd lançado pelo selo?

Sérgio:
Primeiro precisa ser boa. O negócio precisa ser bem tocado, a banda tem que prezar tudo o que faz, a forma como lança sua música, essas coisas. E as outras coisas importantes são eu gostar e acreditar no som, a banda correr atrás e produzir, sem corpo mole. Não há como viver de um selo independente e o artista que acha que é só assinar e cruzar os braços está muito enganado. Nem gravadoras grandes são garantia de algo e isso faz muito tempo. Tem que entender que estar em um selo é colaborar continuamente pra que seu som seja bem promovido, pra que o disco seja ouvido, etc. Entender que ambos crescem juntos.

Quais bandas o selo já lançou e quais os próximos lançamentos?

Sérgio:
O selo lançou o segundo álbum do Cobalto, “Metamorphic”, o primeiro álbum da Yun-Fat, “Action Movie Stunts Get To Die”, e o primeiro álbum da Satânia, auto-intitulado. Os próximos lançamentos são um EP ou single do Enio e A Maloca e o disco do Odd Humans (ex-Mobile), meu projeto com Enio.

Após o fim do Automata era claro que você continuaria no mundo musical. Além do selo, você também criou uma banda chamada Satânia. Como ela foi formada?

Sérgio:
Eduardo César (guitarra e vocal) me convidou pra cantar na mambanegra no final de 2006, mas as coisas estavam meio frias na banda e eles eventualmente encerraram as atividades. Fomos mantendo contato e, no meio do ano passado, Eduardo e eu decidimos fazer um novo som. Marcus Rehm, baixista da mambanegra, nem pensou duas vezes e já que Leonardo Mitchell (bateria) havia deixado a banda, escolhemos chamar Thiago Ramalho (Minerva). A partir de material da mambanegra nasceu o disco da Satânia.

Como foi a gravação e produção do primeiro cd da banda?

Sérgio:
Nós queríamos aproveitar músicas da mambanegra e eu queria lançar algo. Como a banda havia gravado uma demo ao vivo em 2006 com Jera (Automata, Cobalto, Yun-Fat, Minerva, etc), eu não queria perder o registro porque havia ficado muito bom, mesmo comparado a registros cujos instrumentos foram gravados separadamente. Então, sugeri que regravássemos guitarras e vocais, acrescentássemos algumas vinhetas – pra fecharmos o conceito do disco, e lançássemos como o primeiro álbum. Fizemos tudo isso novamente com Jera. As baterias e baixos foram mantidos, ficaram as baterias que Leonardo Mitchell gravou.

Quando vai ser possível conferir a banda ao vivo?

Sérgio:
A gente pretende começar a tocar a partir de abril, se tudo correr bem.

Como é para conciliar o trabalho em uma banda com o trabalho do selo?

Sérgio:
Como quaisquer outras coisas na vida quando se lida com pessoas, é bem complicado, mas já foi pior. Na época do Automata e da Atalho era pior porque o Automata sempre foi uma banda bem ativa e algumas bandas do selo também eram, o que fazia a coisa ser insuportável pra mim, muitas vezes – principalmente por eu, como já mencionado, me envolver a ponto de ficar difícil qualquer dissociação. Como a Satânia ainda está no esquema de ensaiar e não de tocar e cada banda do selo agiliza muita coisa, é realmente mais tranqüilo.

Links:
http://www.tortofonogramas.com/
http://www.myspace.com/sataniarock
http://www.myspace.com/sergiofrancofilho

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