Entrevista - Rafael Bittencourt
Por Lucas Rocha
Fotos tiradas do site: http://www.rafaonline.com/
Evento já quase que oficial do circuito metal em Salvador, o workshow se popularizou como uma forma de contato mais próximo do público com seu artista preferido. Integrantes da banda Paulistana Angra são os preferidos e trazem, sempre, novidades e boas apresentações às terras soteropolitanas. Desta feita, é a vez do precursor de tais apresentações: o guitarrista Rafael Bittencourt. Além de instrumentista e compositor, Rafael se mostrou um exímio professor, preocupado não só com a técnica mais com a emoção que as músicas devem passar. Falando de música, ensino, workshow e Angra, com vocês, Rafael Bitencourt.
Qual a importância deste tipo de evento o workshow para músicos e apenas fãs de rock e metal?
Rafael: Esse tipo de evento não é somente para fãs de rock e músicos mas para o público em geral. Entretanto este evento é muito importante para que o estudante de música e o músico aspirante vejam que o sucesso na carreira de música é uma realidade, é possível. As vezes muitos músicos talentosos desistem no meio do caminho porque acabam achando que não. Quando estamos tocando e falando em um workshop há uma desmistificação do artista, passamos nossa experiência como pessoas de carne e osso e que batalham e isto inspira o músico iniciante na sua própria batalha.
E, por falar em Workshow, estarei me apresentando neste fim de semana:dia 26/10 em Aracaju no Espaço Cultural Semear, dia 27/10 em Salvador no Café Teatro Sitorne e dia 28/10 em Fortaleza no Conservatório de Música Alberto Nepomuceno. No dia 30/10 estarei indo para o Japão, Malásia e Indonésia. Para mais informações acessem o http://www.rafaelbittencourt.com/.
Você acredita que o ensino de música diferencia o músico? O quanto é necessário uma instituição que coordene o ensino do aluno que quer ser músico?
Rafael: Sim, acredito que o ensino de música diferencia muito o músico. Algumas pessoas têm,obviamente, um talento nato para tocar um instrumento, e outras pessoas têm um talento nato para aprender. E, este último talento é o mais importante em qualquer atividade. Pois a pessoa que não sabe aprender, não vai conseguir fazer nada bem. As pessoas que fazem algo bem, geralmente sabem aprender, isto significa ter boa concentração, força de vontade, humildade, persistência etc. Também, o talento para se estabelecer um foco e perseguir aquilo que se almeja. O estudo de música é importante pois o professor, através do estudo, pode guiar o aluno de forma que o aluno não se perca. E, o aluno não gaste tempo com aquilo que não é necessário para ele; para que ele estabeleça prioridades; direcione o estudo para que o aluno possa criar o próprio estilo/ musicalidade/ personalidade musical. Por isso a importância do professor, que pode ter um papel fundamental, tanto no aspecto positivo quanto no negativo. Um professor que insiste em fazer algo que não é natural para o aluno, está colaborando de forma negativa no desenvolvimento deste aluno, fazendo com que o aluno gaste anos ali até descobrir que aquela não é a onda dele. Um professor que insiste no rock para um aluno que quer tocar reagge, está gastando o tempo do aluno além de até estabelecer certos traumas e que talvez sejam de difícil superação para o aluno no futuro. Já o professor que respeita o estilo do aluno e o ajuda a descobrir seu próprio estilo e diferencial, estará agindo de maneira importante e positiva na formação musical do aluno.
Como músico profissional, o que você acredita ser o maior entrave para o desenvolvimento de artistas novos no Brasil hoje?
Rafael: Eu acho que são vários os entraves. Não acredito que haja um maior entrave...talvez a falta de desenvolvimento do país, falando de uma maneira bem geral, pois isso afeta diretamente o nível cultural das pessoas. Mas também o nível e a estrutura das escolas de música. Falta uma conexão entre o ensino básico, médio e superior com a vida cultural do país. Acho que precisa existir uma linha ( padronização) de educação no Brasil, pois cada escola entre as particulares e as públicas, ensinam de um jeito. Por exemplo, as escolas normalmente ensinam os alunos a tocarem uma música; mas não os ensinam a vivenciá-la. Não ensinam ao aluno como ele deve comunicar a vida dele através da música. Por isso vejo o ensino musical no Brasli ainda engatinhando; apesar de ter algumas poucas escolas fazendo um trabalho diferenciado.
Outro fator é o preconceito, que o músico precisa aprender a lidar, resultado da massificação de alguns estilos musicais e que devido a existência desta massificação, todos os estilos que dela não fizerem parte acabam correndo à margem, não sendo valorizados e tendo que batalhar muito por um espaço, sofrendo para conseguir ao menos apresentar o seu trabalho. Isso não é legal. Acho que é preciso existir um pouco mais de respeito para todos os estilos. A cultura é um patrimônio importante e serve para fortalecer todo um país.
Já o respeito seria possível com a ajuda de um trabalho de conscientização e valorização da cultura.
Você é o único integrante do Angra que não investiu ainda num trabalho solo. Há alguma previsão para um trabalho fora da banda?
Rafael: Sim, há e eu estou bem animado com isso! Realmente não tinha nenhum projeto em mente mas já que a banda resolveu dar uma parada, estou aproveitando este tempo para investir num trabalho solo. Estou terminando o processo de composição, já tenho algumas músicas, estou começando a pré-produção do disco e pretendo lançar esse trabalho solo no ano que vem. Vou tocar, cantar algumas, vai ter um pouco de violão, muita guitarra e vários estilos diferentes que não seria possivel colocar no Angra.
O que de novo tem ouvido? Algum artista que venha lhe chamando a atenção?
Rafael: Eu sou um cara meio velha guarda, gosto de ouvir coisas antigas.O que eu faço muito é ouvir estilos diferentes. Tem épocas que ouço Seal, depois Madredeus, depois...Soilwork que é uma banda relativamente nova, européia de death metal melódico e nova tendência na Europa, adoro Marisa Monte.
Aqui no Brasil, tive a oportunidade de ser jurado num concurso para guitarristas e o vencedor do concurso me chamou muito a atenção. O nome dele é Jessé Gomes, de Minas Gerais. Ele é um guitarrista de bastante personalidade, e em seu trabalho mistura ritmos sul americanos, ritmos brasileiros, texturas e idéias bem diferentes. Enquanto a maioria busca tocar várias notas, ele procura melodias e texturas, além de ser influenciado pelo Jeff Beck que é também um grande guitarrista.
O que você achou dos trabalhos paralelos dos outros integrantes do Angra? Você pôde ouvir todos?
Rafael: Sim, eu gostei muito. Ouvi todos os trabalhos do Kiko e sempre acompanhei desde a fase inicial das composições e sempre curti. Acho que ele é um musico de altíssimo nível. O Almah, do Edu, o Karma do Felipe e o Hangar do Aquiles também são muito bons.
Enfim, eu admiro e tenho orgulho dos meus colegas, a capacidade deles e o trabalho que eles têm feito por aí. E isto contribui para a boa imagem do Angra pois o publico percebe os talentos individuais de cada um.
Vários boatos foram cogitados sobre a parada do Angra. Ainda mais que todos os componentes se dedicaram a projetos paralelos, lançamentos de discos etc. Recentemente, a mídia fica sabendo da mudança de empresário. Qual o motivo da mudança?
Rafael: Boatos não são fatos. Eles sempre vão existir e não há como controlar. Realmente estamos dando uma parada, como eu disse, não é segredo, mas o que falam em conseqüência disso é pura especulação.
O fato é que a gente excursionou o mundo inteiro com o nosso disco Aurora Consurgens, nascido logo depois da tourné do Temple of Shadows, e por isso resolvemos dar um tempo para arrumar a casa.
Hoje a popularidade do Angra é maior que a nossa estrutura, por isso a gente sentiu necessidade de ampliar também a estrutura e achamos que a melhor hora para fazer isso é agora.
O mercado está em transformação e exige que a gente encontre maneiras de se adequar a nova realidade. As pessoas não compram mais CD então teremos que encontrar maneiras de sobreviver sem este artigo, ou investindo bem menos.
Por conta de tudo que vem ocorrendo, você tem algo que possa dizer sobre o futuro do Angra?
Rafael: O futuro é incerto e ao mesmo tempo otimista, porque por um lado o meu contrato com o empresário foi rescindido; por outro eu e meus companheiros de banda queremos continuar esta estória estamos empolgados com isto. Temos muitos planos e sonhos: fazer um dvd acústico, um show com orquestra, livro com a estória da banda, tournés, cds e muito mais.
O que gerou estes boatos foi a má comunicação ao público, porque tecnicamente a banda ainda é do empresário, mas com os contratos rescindidos não podemos comunicar em nome da banda, apenas individualmente. Ele, como representante da banda não comunicou nada ao público. Mas, tenho a esperança de que algum outro empresário irá querer contratar a banda. É só questão de tempo porque temos tudo o que precisa: um público muito fiel e vontade de trabalhar.
Enquanto houver gente interessada em ouvir Angra, ele vai existir.
A Bahia Rock agradecem a entrevista, desejando uma excelente estada na Bahia. O que deixa de mensagem para seus fãs baianos?
Rafael: Tenho uma gratidão especial para com os fãs baianos que nestes 16 anos sempre estiveram ao nosso lado, apoiando nos altos e baixos do grupo. E, a enorme satisfação que é visitar a Bahia novamente, berço cultural do nosso país.
Fotos tiradas do site: http://www.rafaonline.com/
Evento já quase que oficial do circuito metal em Salvador, o workshow se popularizou como uma forma de contato mais próximo do público com seu artista preferido. Integrantes da banda Paulistana Angra são os preferidos e trazem, sempre, novidades e boas apresentações às terras soteropolitanas. Desta feita, é a vez do precursor de tais apresentações: o guitarrista Rafael Bittencourt. Além de instrumentista e compositor, Rafael se mostrou um exímio professor, preocupado não só com a técnica mais com a emoção que as músicas devem passar. Falando de música, ensino, workshow e Angra, com vocês, Rafael Bitencourt.Qual a importância deste tipo de evento o workshow para músicos e apenas fãs de rock e metal?
Rafael: Esse tipo de evento não é somente para fãs de rock e músicos mas para o público em geral. Entretanto este evento é muito importante para que o estudante de música e o músico aspirante vejam que o sucesso na carreira de música é uma realidade, é possível. As vezes muitos músicos talentosos desistem no meio do caminho porque acabam achando que não. Quando estamos tocando e falando em um workshop há uma desmistificação do artista, passamos nossa experiência como pessoas de carne e osso e que batalham e isto inspira o músico iniciante na sua própria batalha.
E, por falar em Workshow, estarei me apresentando neste fim de semana:dia 26/10 em Aracaju no Espaço Cultural Semear, dia 27/10 em Salvador no Café Teatro Sitorne e dia 28/10 em Fortaleza no Conservatório de Música Alberto Nepomuceno. No dia 30/10 estarei indo para o Japão, Malásia e Indonésia. Para mais informações acessem o http://www.rafaelbittencourt.com/.
Você acredita que o ensino de música diferencia o músico? O quanto é necessário uma instituição que coordene o ensino do aluno que quer ser músico?
Rafael: Sim, acredito que o ensino de música diferencia muito o músico. Algumas pessoas têm,obviamente, um talento nato para tocar um instrumento, e outras pessoas têm um talento nato para aprender. E, este último talento é o mais importante em qualquer atividade. Pois a pessoa que não sabe aprender, não vai conseguir fazer nada bem. As pessoas que fazem algo bem, geralmente sabem aprender, isto significa ter boa concentração, força de vontade, humildade, persistência etc. Também, o talento para se estabelecer um foco e perseguir aquilo que se almeja. O estudo de música é importante pois o professor, através do estudo, pode guiar o aluno de forma que o aluno não se perca. E, o aluno não gaste tempo com aquilo que não é necessário para ele; para que ele estabeleça prioridades; direcione o estudo para que o aluno possa criar o próprio estilo/ musicalidade/ personalidade musical. Por isso a importância do professor, que pode ter um papel fundamental, tanto no aspecto positivo quanto no negativo. Um professor que insiste em fazer algo que não é natural para o aluno, está colaborando de forma negativa no desenvolvimento deste aluno, fazendo com que o aluno gaste anos ali até descobrir que aquela não é a onda dele. Um professor que insiste no rock para um aluno que quer tocar reagge, está gastando o tempo do aluno além de até estabelecer certos traumas e que talvez sejam de difícil superação para o aluno no futuro. Já o professor que respeita o estilo do aluno e o ajuda a descobrir seu próprio estilo e diferencial, estará agindo de maneira importante e positiva na formação musical do aluno.
Como músico profissional, o que você acredita ser o maior entrave para o desenvolvimento de artistas novos no Brasil hoje?
Rafael: Eu acho que são vários os entraves. Não acredito que haja um maior entrave...talvez a falta de desenvolvimento do país, falando de uma maneira bem geral, pois isso afeta diretamente o nível cultural das pessoas. Mas também o nível e a estrutura das escolas de música. Falta uma conexão entre o ensino básico, médio e superior com a vida cultural do país. Acho que precisa existir uma linha ( padronização) de educação no Brasil, pois cada escola entre as particulares e as públicas, ensinam de um jeito. Por exemplo, as escolas normalmente ensinam os alunos a tocarem uma música; mas não os ensinam a vivenciá-la. Não ensinam ao aluno como ele deve comunicar a vida dele através da música. Por isso vejo o ensino musical no Brasli ainda engatinhando; apesar de ter algumas poucas escolas fazendo um trabalho diferenciado.Outro fator é o preconceito, que o músico precisa aprender a lidar, resultado da massificação de alguns estilos musicais e que devido a existência desta massificação, todos os estilos que dela não fizerem parte acabam correndo à margem, não sendo valorizados e tendo que batalhar muito por um espaço, sofrendo para conseguir ao menos apresentar o seu trabalho. Isso não é legal. Acho que é preciso existir um pouco mais de respeito para todos os estilos. A cultura é um patrimônio importante e serve para fortalecer todo um país.
Já o respeito seria possível com a ajuda de um trabalho de conscientização e valorização da cultura.
Você é o único integrante do Angra que não investiu ainda num trabalho solo. Há alguma previsão para um trabalho fora da banda?
Rafael: Sim, há e eu estou bem animado com isso! Realmente não tinha nenhum projeto em mente mas já que a banda resolveu dar uma parada, estou aproveitando este tempo para investir num trabalho solo. Estou terminando o processo de composição, já tenho algumas músicas, estou começando a pré-produção do disco e pretendo lançar esse trabalho solo no ano que vem. Vou tocar, cantar algumas, vai ter um pouco de violão, muita guitarra e vários estilos diferentes que não seria possivel colocar no Angra.
O que de novo tem ouvido? Algum artista que venha lhe chamando a atenção?
Rafael: Eu sou um cara meio velha guarda, gosto de ouvir coisas antigas.O que eu faço muito é ouvir estilos diferentes. Tem épocas que ouço Seal, depois Madredeus, depois...Soilwork que é uma banda relativamente nova, européia de death metal melódico e nova tendência na Europa, adoro Marisa Monte.Aqui no Brasil, tive a oportunidade de ser jurado num concurso para guitarristas e o vencedor do concurso me chamou muito a atenção. O nome dele é Jessé Gomes, de Minas Gerais. Ele é um guitarrista de bastante personalidade, e em seu trabalho mistura ritmos sul americanos, ritmos brasileiros, texturas e idéias bem diferentes. Enquanto a maioria busca tocar várias notas, ele procura melodias e texturas, além de ser influenciado pelo Jeff Beck que é também um grande guitarrista.
O que você achou dos trabalhos paralelos dos outros integrantes do Angra? Você pôde ouvir todos?
Rafael: Sim, eu gostei muito. Ouvi todos os trabalhos do Kiko e sempre acompanhei desde a fase inicial das composições e sempre curti. Acho que ele é um musico de altíssimo nível. O Almah, do Edu, o Karma do Felipe e o Hangar do Aquiles também são muito bons.
Enfim, eu admiro e tenho orgulho dos meus colegas, a capacidade deles e o trabalho que eles têm feito por aí. E isto contribui para a boa imagem do Angra pois o publico percebe os talentos individuais de cada um.
Vários boatos foram cogitados sobre a parada do Angra. Ainda mais que todos os componentes se dedicaram a projetos paralelos, lançamentos de discos etc. Recentemente, a mídia fica sabendo da mudança de empresário. Qual o motivo da mudança?
Rafael: Boatos não são fatos. Eles sempre vão existir e não há como controlar. Realmente estamos dando uma parada, como eu disse, não é segredo, mas o que falam em conseqüência disso é pura especulação.
O fato é que a gente excursionou o mundo inteiro com o nosso disco Aurora Consurgens, nascido logo depois da tourné do Temple of Shadows, e por isso resolvemos dar um tempo para arrumar a casa.
Hoje a popularidade do Angra é maior que a nossa estrutura, por isso a gente sentiu necessidade de ampliar também a estrutura e achamos que a melhor hora para fazer isso é agora.
O mercado está em transformação e exige que a gente encontre maneiras de se adequar a nova realidade. As pessoas não compram mais CD então teremos que encontrar maneiras de sobreviver sem este artigo, ou investindo bem menos.
Por conta de tudo que vem ocorrendo, você tem algo que possa dizer sobre o futuro do Angra?
Rafael: O futuro é incerto e ao mesmo tempo otimista, porque por um lado o meu contrato com o empresário foi rescindido; por outro eu e meus companheiros de banda queremos continuar esta estória estamos empolgados com isto. Temos muitos planos e sonhos: fazer um dvd acústico, um show com orquestra, livro com a estória da banda, tournés, cds e muito mais. O que gerou estes boatos foi a má comunicação ao público, porque tecnicamente a banda ainda é do empresário, mas com os contratos rescindidos não podemos comunicar em nome da banda, apenas individualmente. Ele, como representante da banda não comunicou nada ao público. Mas, tenho a esperança de que algum outro empresário irá querer contratar a banda. É só questão de tempo porque temos tudo o que precisa: um público muito fiel e vontade de trabalhar.
Enquanto houver gente interessada em ouvir Angra, ele vai existir.
A Bahia Rock agradecem a entrevista, desejando uma excelente estada na Bahia. O que deixa de mensagem para seus fãs baianos?
Rafael: Tenho uma gratidão especial para com os fãs baianos que nestes 16 anos sempre estiveram ao nosso lado, apoiando nos altos e baixos do grupo. E, a enorme satisfação que é visitar a Bahia novamente, berço cultural do nosso país.
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