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Cobertura do Show - Angra e Slow

Concha Acústica do TCA
01 de Novembro de 2006

Texto e Fotos: Aguirre Talento
Fotos do público: Antonio Jorge Santos

Os shows do Angra em Salvador sempre suscitam polêmicas. Uns reclamam da banda tocar aqui todo ano, que na cidade não tem shows de outras bandas de fora (o que não é verdade) ou que o preço dos ingressos está muito caro. Do outro lado, há os defensores dizendo que vão de qualquer jeito pro show, o preço é justo e a banda é muito boa. No meio disso tudo, uma coisa pode-se afirmar com certeza: as apresentações do Angra na cidade do axé sempre enchem. Dessa vez não foi diferente, mas o público marcou presença maior apenas na hora do Angra; muitos não chegaram a tempo de ver a Slow tocando.

A casa ainda não estava muito cheia e, com apenas meia hora de atraso, a Slow, banda veterana do cenário de metal baiano, começa sua apresentação. Aos primeiros sons do baixo feroz de Joel Moncorvo, da guitarra de Ricardo Primata e da bateria de Ricardo Bacellar tocando a instrumental Possessed, o público presente solta gritos de empolgação, demonstrando suas expectativas positivas em relação à noite. A banda já esbanjava presença de palco, mas ainda faltava alguém para animar ainda mais o show: Jorginho King Cobra, o vocalista, que entra no palco com toda sua postura oitentista para cantar Sanctus Paradoxus, e finalmente os que não conheciam a Slow vêem a banda inteira em ação. Todos os integrantes mostram bastante precisão na execução das músicas do álbum Killer Mermaid, lançado recentemente pela Maniac Records. Uma entrada lenta anunciava a próxima música, The Ilusions, começando como uma balada mas depois riffs pesados acompanhados dos agudos de Jorginho davam mais peso à música. O show seguiu com Come To The Other Side e chegou ao seu ápice com a música mais famosa da banda, Killer Mermaid. Mais de 9 minutos de duração, mostrando uma banda muito coesa e deixando o público boquiaberto na habilidade de Joel com seu baixo. Ainda pretendiam tocar mais uma música, porém o tempo da apresentação se esgotou e eles tiveram que encerrar seu show. A Slow representou bem o metal baiano na abertura do show de uma banda de projeção internacional e provavelmente deve ter conquistado novos fãs.

Agora a expectativa do público volta-se para o show do Angra. Mais trinta minutos de espera e ouve-se uma introdução já bem conhecida dos fãs da banda: Unfinished Allegro. Isso significava que o show já começaria com uma porrada, o que todos perceberam com o riff inicial de Carry On. Apesar de recém-chegados de uma turnê no Japão, a banda não mostrava sinais de cansaço, entrando bem animada no palco. Não chegaram a terminar Carry On e já emendaram com um pequeno trecho de In Excelsis, seguido de Nova Era, outra música com pegada, passando grande energia ao público presente. Com esse início eletrizante, o público já esperava um grande show. A música seguinte foi a nova The Voice Commanding You, mais uma música rápida para manter o ritmo da apresentação, enquanto a banda demonstrava muita presença de palco. Todos, à exceção de Aquiles Priester, baterista, e Fábio Laguna, tecladista contratado, percorrem o palco de um lado a outro, esbanjando perícia em seus instrumentos. Nessa música pecaram apenas na parte dos coros, que foi tocada em playback, quando a banda poderia ter feito algum improviso Continuaram o show com uma música, do Temple of Shadows, Waiting Silence. Depois dela, Edu Falaschi faz uma alusão a Acid Rain, mas a música que acaba saindo é outra, para a surpresa dos fãs mais antigos da banda: Wings Of Reality, do álbum Fireworks, normalmente esquecido no repertório do Angra. Mas esses fãs ainda teriam uma surpresa ainda maior com a próxima música: Z.I.T.O., direto do Holy Land e por um bom tempo longe dos shows da banda. O motivo para terem tocado essas músicas é o aniversário de 15 anos do Angra, e por isso as apresentações dessa nova turnê darão ênfase a toda a carreira da banda.

Só agora é que vem Acid Rain, mais conhecida e que faz o público todo cantar junto. Depois, uma música que, segundo Edu, significa muito para a banda, mas com certeza também para seus fãs: Angels Cry, do primeiro álbum. Novamente todos cantando junto e até algumas rodas se abrem, mesmo a Concha Acústica não sendo muito propícia a isso. Então Heroes of Sand veio para acalmar um pouco a agitação dos espectadores. Ego Painted Grey também manteve o ritmo mais lento até começar suas partes mais pesadas, quando a banda mostrou toda sua habilidade nos solos, apesar dos vários erros de Rafael durante o show, mas com destaque especial para Aquiles destruindo a bateria. Depois veio outra parte destruidora, na introdução de Angels and Demons: Kiko, Rafael e Felipe no centro do palco debulhando seus respectivos instrumentos, com bastante peso.

Uma introdução no teclado anunciava mais um clássico da banda: Nothing To Say, que logo em seus primeiros riffs leva o público à loucura, fazendo muitos baterem cabeça sem se preocupar com os degraus da Concha. E Rebirth rende um bonito momento, com os presentes cantando em uníssono. Mas na hora do solo, o clima era outro: rodas se abrindo em toda a parte plana, em frente ao palco. A banda sai do palco e mais uma introdução, dessa vez para a primeira música do novo álbum, chamada The Course Of Nature. Então Edu agradece ao público e faz como se o show estivesse acabado, com eles novamente saindo do palco. Mas eis que surge Aquiles vestindo uma máscara e o Angra puxa a música mais rápida do Temple Of Shadows: Spread Your Fire. O show já estava no fim e os guitarristas ensaiam o riff inicial de Streets Of Tomorrow, mas apenas para provocar os fãs mais antigos. Em celebração ao heavy metal, a última música do show acabou sendo Flight Of Icarus, do Iron Maiden, enquanto muitos estavam esperando uma canção do Angra para finalizar o show, ou mesmo uma palhinha de Saint Seya, que o público pedia insistentemente. Ainda assim, o público passou uma grande energia nesse final. O show termina e muitos continuam em seus lugares, esperando mais um retorno da banda, mas dessa vez o final foi definitivo.

Apesar das reclamações de muitos headbangers em relação ao show, a Concha Acústica esteve bastante cheia durante a apresentação do Angra. Um show claramente superior ao do ano passado na Espetáculo, seja na infra-estrutura do local como na apresentação em si, com um repertório balanceado entre os diversos álbuns da banda. A abertura com a Slow serviu de aquecimento para os headbangers, além de mostrar o trabalho da banda a um público maior do que o presente normalmente nas casas de show underground. Com esse show, o Angra começa sua turnê do Aurora Consurgens com o pé direito.

Confira as fotos do Evento

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