Depression

Dentre as diversas vertentes do Rock, o grunge é o principal influenciador na formação identitária da banda Depression.
Com letras psicodélicas, porém eloquentes, com alto teor emotivo, despertam-se provocações acerca dos mais variados assuntos da vida, como o amor, a tristeza, a morte, os relacionamentos entre o homem com o mundo, com si mesmo e até com o sobrenatural. Surge, assim, a identificação sonora da banda.
Os integrantes da Depression dão vivacidade às letras e ao som através de suas performances enérgicas, com estilo positivamente agressivo, que aflora através de uma bateria de pegada fortemente original, seguida de um vocal marcante, com o canto passeando, alternadamente entre a suavidade e o gutural. A guitarra exerce um discurso sonoro executado por rifs de caráter único, multifacetado e belo, versátil entre momentos de simplicidade e complexidade. Já o contrabaixo pode ser rotulado como um seguimento de células musicais brilhantemente limpas, que, a despeito de geralmente diferenciar-se do seguimento linear sincronizado com a bateria, não faz o a banda perder sua coerência musical. O contrabaixo não apenas preenche o vazio, como um muro que permite a gravidade sonora de apoio a uma guitarra aguda, como também traz uma presença musical muito distinta de outros estilos, algo que o transforma num elemento artístico musical de presença inconfundível.

História – A Depression foi a primeira banda de Rock and Roll da Ilha de Itaparica. Teve seu início na década de 1990, no município de Vera Cruz – BA. Idealizado por seus integrantes, Dilton Souza, Denilson Carvalho e Diego Henrique, o Projeto Depression somente iniciou suas atividades práticas no ano 2000. Os ensaios da banda inicialmente ocorriam no Colégio Estadual Desembargador Júlio Virgínio de Sant’ Anna, situado na localidade de Mar Grande. À época, o espaço da instituição foi cedido pelo então Diretor Clóves Costa. Sendo ele próprio um músico da capital baiana, o ex-Diretor do Colégio foi e ainda é um dos principais incentivadores da banda.
O aniversário da Depression comemora-se ao dia 12 de junho, data marcada pelo primeiro seu show, realizado no espaço “Mulé Tábua”. O local foi criado para a exibição de shows de Rock and Roll. Seu nome remete à música de autoria da banda Hard Flip, que, alguns anos após o nascimento da Depression, veio reforçar o cenário do Rock and Roll na Ilha de Itaparica, criando o espaço destinado aos shows de Rock.
A Hard Flip possuía um estilo Hardcore muito bem executado e tornou-se parceira da Depression na representatividade e no enaltecimento do cenário roqueiro municipal. Alguns tempo depois, já no ano de 2004, tal cenário ganhou um novo reforço, a banda Fobia, que, posteriormente, alterou seu nome para Blood Tears. Assim, a Depression mergulhou em uma aventura no Rock and Roll, fazendo shows, se apresentando em eventos ao lado de grupos com outros estilos musicais e, incrivelmente, adquirindo grande aceitação e admiração por tribos das mais variadas vertentes musicais.
O Projeto Depression passou por um hiato de nove anos, pois, no ano de 2009, o grupo fez um último show no espaço “Clube do Fantoche”, em Salvador – BA. O projeto retornou somente no ano de 2018, com a Depression reforçando o cenário atual do Rock na Ilha ao lado das bandas Alibal Conspiracy e Aisla. Atualmente, a banda conta com um novo contrabaixista, Alípio Argeu, que abrilhanta o som da Depression com sua energia, determinação e talento.
O nome Depression surge com um propósito reflexivo. A banda nunca utilizou esse nome com o pensamento voltado para a banalização ou com o intuito de aumentar o preconceito e os estigmas que rodeiam o transtorno depressivo e outras patologias mentais. Ao contrário, a banda visa acoplar seu nome às suas letras, de modo a evidenciar a tristeza e outras diversas emoções intrínsecas ao próprio estado de ser, permitindo, assim, reflexões e incentivos positivos ao bem-estar do ouvinte.
O símbolo da banda, representado por um cacto verde de três galhos, é um reforçador do ideal do nome Depression. Os três galhos representam o número de integrantes da banda, ao passo em que o cacto em si é sinônimo de resistência. Como a planta que sobrevive a altas temperaturas, igualmente é o Rock and Roll, arte musical que resiste de forma exemplar no cenário musical. O símbolo também reflete, metaforicamente, a luta que pacientes diagnosticados com o transtorno depressivo travam diariamente. Tal transtorno acompanhou muitos astros do Rock, contribuindo para o fim trágico de muitos deles, e, apesar dos muitos avanços da medicina (e dos poucos avanços sociais), persiste no cotidiano de notáveis astros atualmente.

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