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Coluna de Luciano Matos: "Fim da monocultura?"

Tirado do blog El Cabong (http://www.nemo.com.br/elcabong)

É inegável que a Axé Music tenha sua importância para a Bahia, mas é inegável também que o estilo tenha sido protegido e estimulado mais do que outros gêneros por aqui. A capacidade de transformar qualquer grupo em fenômeno pop conta(va) com um forte empurrão do Governo, da mídia e de empresários. Hoje, mesmo com o Axé não vivendo os tempos gloriosos de outrora, os métodos de transformar bandas pífias em sucesso continua. Algumas das últimas apostas não deram em nada, como o Tribahia, mais recentemente. A bola da vez se chama Voa a Dois, um produto calculado que usa as ferramentas que sempre deram certo no meio. Pouca ou nenhuma preocupação musical, uma produtora com bastante dinheiro e forte vínculo com alguns dos principais meio midiáticos produz os shows, distribui convites para o circuito “gente bonita” e lota as apresentações, banca músicas nas rádios populares e, aos poucos, transforma algo que mal existia em moda. Pronto, está criado um novo sucesso que pouco tem a ver com qualidade musical. Apesar disso, é bom lembrar que os tempos são outros. Se o Axé emplacava vários discos entre os mais vendidos, hoje apenas a garota propaganda Ivete Sangalo consegue o mesmo, assim mesmo a base de altíssima exposição. Não adianta dizer que é a crise fonográfica, porque mesmo que os números de vendas tenham diminuído, existem outros artistas na lista vendendo e os “nossos” não estão lá. O mundo Axé está colocando a corda no próprio pescoço, se afastando cada vez mais do povão, entregando o público de bandeja para outros gêneros e se tornando música para quem tem dinheiro. Seja com os blocos, cada vez mais caros, seja com os shows a altos preços e em locais distante da capital onde desfilam nossa classe média alta “bonita” e desprovida de cérebro. Grupos populares como Chiclete com Banana, mal se apresentam mais para o chamado povão. Espaço aberto para o cada vez mais forte pagode e os grupos de pseudo forró. O que é lamentável é que assim mesmo a Bahia ainda é vista como a terra do Axé e só do Axé. Não temos apenas isso. Temos um samba de alta qualidade, com compositores de alto calibre. Temos um rock respeitado em todo lugar, com algumas bandas de nível internacional e grupos surgindo à todo momento. Temos também nomes ligados a MPB, Black Music e Reggae de forte expressão e que já deveriam ganhar mais holofotes.

MySpace brasuca
Se o MySpace se tornou uma das ferramentas mais importantes para as bandas pelo mundo, o site promete ganhar mais força no Brasil. Em breve, será aberto um escritório da empresa no Brasil e, melhor, uma versão totalmente em português do site. O resultado deve ser uma invasão ainda maior de bandas e estilos brasucas e mais uma ferramenta na briga contra a música imposta.

Agendão
Depois do show da Nação Zumbi, cujo novo bom disco, “Fome de Tudo”, já vazou na internet (baixe aqui), Salvador prepara uma nova leva de bons shows. Vem aí Eddie, Matanza, Zefirina Bomba, Otto, Mundo Livre S/A, Titãs e Paralamas, Ponto de Equilíbrio, Forgotten Boys, UDR, Lucas Santanna, Bunny Wailer, Luiz Melodia, além de provável show do aguardado Cidadão Instigado e do Sepultura.

Palco Grito do Rock
O polêmico festival Palco do Rock ganhou um bom reforço. O evento entrou como representante de Salvador no Grito Rock Brasil, festival simultâneo que aglutina evento sem todo país durante o Carnaval. 36 cidades já confirmaram participação, inclusive a capital Argentina Buenos Aires. As bandas interessadas em participar da 14ª do Palco do Rock podem se inscrever até o próximo dia 26. O evento acontece de 2 a 5 de fevereiro em Piatã e terá 32 bandas na programação.

Baianos da rede
Duas bandas baianas, que quase não existem fisicamente, pois pouco se apresentam, estão aproveitando o universo digital para lançar novidades. A Associação Mr. Harry Haller e o Samba do Patinho acaba de soltar na internet Estudos Azedos disco resultado de incursões de seu criador por timbres e sonoridades incomuns. Outro grupo que soltou trabalho na rede foi o Teclas Pretas, que conta com Glauber Guimarães (ex-Dead Billies para quem não sabe) entre os integrantes.
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